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  • CarlaOliveira 12:17 on 04/12/2012 Permalink | Responder
    Tags: Ficção, Ideias   

    Banho de lua 

    O candeeiro reflectia uma bola cor-de-laranja no canto da parede da sala. Parecia um sol em chamas em plena noite estrelada. Não estava escuro, estava apenas misterioso, um misterioso daqueles que fazem os candeeiros parecerem luas na parede. Lá dentro, falava-se de tudo o que o céu não pode comprar… Das coisas. Das casas, das férias, dos projectos, dos empregos e das carreiras. As palavras atropelavam-se entre tragos de vinho tinto, bom, e garfadas de um jantar bem temperado. Tudo era especial… A toalha era nova, os copos a estrear, os pratos, os talheres e as travessas… daquele requinte que só a simplicidade sabe explicar. O requinte do momento e a simplicidade de uma noite a dois.

    O tempo passou, entre coisas giras e rápidas e divertidas e assuntos delicados que se engolem rapidamente num trago de arroz de passas e pinhões. Porque todas as coisas difíceis são assim: caras, raras, com um travo doce, mas nem sempre correm bem.

    As horas volviam-se, mas o sol continuava a bater na mesma parede da sala, espreitando por entre as árvores da rua. Quente. Laranja. Avermelhado. A escaldar.

    O jantar continuou no sofá. Um café perfumado com pau de canela e um digestivo para ajudar as passas e os pinhões a desaparecerem de vez entre a gíria e os assuntos difíceis. O calor da parede rapidamente se fez sentir por dentro. Uma gargalhada mais profunda, um olhar mais penetrante… Uma mão que repousa de mansinho no ombro e desce descomprometidamente pelo braço até repousar no colo. É a linguagem da sedução… Ela fazia isso sem sentido. Começava a acariciar inadvertidamente o seu corpo; no fundo sentia que lhe proporcionava prazer, e por isso não deixava de o fazer. Depois apoiou o cotovelo no colo e passou os dedos por baixo do pescoço, vagarosamente… Falavam das memórias dos momentos engraçados e recordavam as peripécias daqueles que foram ficando pelo caminho entre os primeiros momentos de revelação a dois.

    O gargalhar tornou-se prolongado e o tom mais descontraído. Como se o riso se espalhasse por uma onda cremosa de notas esvoaçantes. Aquele riso que diz que deseja, que grita atenção e que reclama a presença… Aquele sorriso que o fez chegar-se mais perto. Ela estremeceu, mas ele manteve-se frio, hirto. Fingiu não perceber para não a intimidar. Ela sabia que ele já tinha dado o passo, por isso entrou na fase de medir a expectativa e não deixar os fantasmas abalroarem a janela do sótão, arrefecendo o calor que sentia inevitavelmente dentro de si. Sim, de forma demasiado inevitável. Tanto que quase já lhe sentia a irreversibilidade…

    Começaram as carícias. Ela pôs-lhe a mão na perna e ele sentiu o gesto da permissão. Ergueu o braço por detrás do seu pescoço num movimento que parecia uma eternidade intemporal. Enquanto isso, aquela tensão do borboletar no estômago crisalidava dentro de si. A tensão tornou-se quente, formigante e o rosto dele ficou tão perto que lhe sentia o calor numa suspensão do respirar… Antes de recuperar o fôlego, ele aproximou-se um pouco mais e foi possível sentir ao de leve, bem leve, a pele fina dos seus lábios macios. Ficaram assim um momento, apenas o suficiente para sentirem a irreversibilidade do que estava prestes a acontecer. E sabia bem. Demasiado bem. Os lábios suaves deslizaram suavemente junto dos dela, desbravando um território há muito desejado, mas longo tempo proibido. Primeiro o inferior, depois o superior com o superior dele. Carnudo, quente. A sua língua suavemente encontrou a união dos lábios dela e harmoniosamente fundiram-se em movimentos deliciosos e cheios, quentes e húmidos numa dança calma e prolongada.

    Quando deram por si, os braços já se haviam encontrado e as pernas entrelaçaram-se num compasso involuntário da vontade. As bocas continuavam a sua dança e as cabeças contorciam-se entre leves gemidos que se escapavam em fôlegos de desejo interior…
    Sem mais, desfrutaram-se ali. Entre o silêncio dos gemidos e os estalidos da noite estrelada que deixava o sol entrar na parede da sala quente.

     
  • CarlaOliveira 3:30 on 30/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Ideias   

    In&Out – A Higiene é simples. 

    Conceito Criativo: Caixote do Lixo Funcional
    Nome Comercial: In&Out©
    O Problema:
    Todos nós compramos sacos do lixo fechados, enrolados em rolos e divididos por uns picotados que vamos desenrolando para os destacar, abrir e colocar de novo no caixote do lixo.
    Ora, vários passos desagradáveis há em todo este processo, o que tem levado várias empresas a investir na minimização do desconforto no acto de trocar o saco do lixo. Senão, vejamos:
    -Inovação de agora terem fecho fácil – só é necessário puxar a fita para que o saco se feche. Depois é dar um nó e pronto.
    -Contra o cheiro desagradável agora há sacos do lixo com cheiro. Pena que só dure enquanto o saco está vazio, mas até resulta. A questão é que após o lixo estar lá dentro o cheiro é anulado.
    – Que tamanho de saco escolher? Para facilitar, uniformizaram-se os tamanhos pela “litragem” do caixote do lixo, 30 litros, 50litros. Não obstante, muitos de nós compramos frequentemente o número acima ou o número abaixo e damos por nós a esticar as bordas ao saco na expectativa de que ele encaixe no caixote sem se romper.
    Mas um outro grupo de “nós” não compra estes sacos de lixo. Ou não os usa sempre. Na maioria das vezes até reutilizamos os sacos de plástico dos hipermercados que, mesmo sem as complicações da capacidade de 20 ou 30 litros, costumam caber na “boca” do caixote do lixo, têm a facilidade de terem as alças grandes, o que nos ajuda a não termos de tocar directamente no rebordo do caixote pois basta voltá-las para baixo e, no fim, até nos ajudam a dar o nó, para fechar o lixo lá dentro.
    -Finalmente, a pior parte: tirar o saco do lixo fechado e trocar por um saco novo… Bleag. Cheira mal, é anti-higiénico e obriga a um contacto próximo com o caixote conspurcado…
    Posto isto…
    Vinha eu no pára-arranca da A5 a caminho de casa quando dei vida a uma ideia que não faço ideia como se pode por em prática, mas que resolvi partilhar: porque não construir um sistema dispensador de sacos do lixo em que eles já estariam uns dentro dos outros, prontos a usar, seria só tirar o saco usado e o outro ficaria imediatamente colocado e pronto a ser utilizado?!
    A ideia é uma marca vender como seus “consumíveis exclusivos” um género de pack de sacos enfiados uns nos outros, que se armam para ficarem com a forma do próprio depósito do caixote do lixo. Ao armar-se, ficam exactamente colocados como deve ser, sem termos de ajustar com a mão ou pôr uma “virola” do saco para fora do depósito para que o saco não fuja…
    Nos cantos inferiores do conjunto de sacos haveria um sistema “agregador” que, quando levasse um puxão, dispensasse o saco sobreposto. O saco de baixo ficaria intocável e surpreendentemente bem colocado, como desejo de qualquer utilizador!
    Seriam fortes, resistentes e com fecho fácil.
    Podia haver em verde, amarelo, azul e laranja, como nos Ecopontos. (Laranja para os desperdícios e restos). Ou então com cores a combinar com os caixotes, à semelhança do que fez a Renova que tornou o papel higiénico num objecto de luxo, requinte e distinção (Ler aqui ou aqui)…
    Em vez de serem os sacos a ter o cheiro, este novo caixote seria como o Brise Toque&Fresh, accionável quando se carregasse no pedal para abrir a tampa, ou então como o novo Brise Sense&Spray, accionável mediante o movimentoquando alguém se aproximasse ou fosse pôr algo ao lixo (http://www.brise.pt/).
    A venda das recargas seria feita como complemento do modelo específico do caixote do lixo e podia comprar-se “dobrado”, para ocupar menos espaço em termos logísticos e de distribuição. Depois, para aplicação, seria só desdobrar que ele armava-se sozinho como as tendas da Quechua, ajustando-se perfeitamente ao interior do caixote! O material poderia continuar a ser plástico, mas 100% reciclado, claro.
    Fantástico, hein?!
    Adeus rolos de sacos. Adeus sacos perfumados. Adeus sacos do hipermercado (usem os reutilizáveis ultra resistentes…) E agora resta que alguma das marcas se lembre pegar na ideia e torná-la real. É que já basta de andarmos sempre a disputar lá em casa: “Hoje é a tua vez de pôr o novo saco do lixo!”, “Mas eu já pus ontem…”, “Fogo, pah, calha-me sempre a mim…”.
    Grrrrr.
     
  • CarlaOliveira 11:55 on 26/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Ideias,   

    No outro dia falávamos da forma como um blogue é sempre muito mais “intimista”. Este novo tema que escolhi permite actualizações de estado em “micro-messaging”, tal como o Facebook, e acho que vou começar a usá-lo mesmo nesse sentido… O próximo passo será ter login apenas para subscritores. Passamos tanto tempo online, a trabalhar, a estudar, às compras, pagamentos, marcação de exames e consultas, a resolver os assuntos da vida e até mesmo a falar com os nossos próprios familiares que começo mesmo a acreditar que este é meesmo o nosso novo “espaço social”…
    Hoje sinto-me particularmente vazia. E queria que isso ficasse só aqui entre nós, no espaço íntimo desta intimidade que já não temos…

     
  • CarlaOliveira 0:52 on 18/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: Felicidade, Ideias, Imagem, Motivação, Optimismo, Pictograma   

    Numa época de conturbação como temos viv… 

    Numa época de conturbação como temos vivido ultimamente, não admira que as manifestações se multipliquem pelas ruas, nas nossas casas, nas empresas e nas conversas de café. Entre reivindicações de activistas e sindicatos, frases repletas de palavras como injustiça, ladrões, interesseiros, drama, horror e tragédia. Credo, bate qualquer record num ranking de número de palavras negativas por frase!
    Greves gerais. Manifs. Bloqueios das auto-estradas. Buzinões. Apitões. Esperas. Reivindicações. Zangões e Chatarrões… Gritos e intolerâncias que se multiplicam numa onda contágio sem precedentes que só gera novas reivindicações, mais pessimismo e maior sentimento de revolta, de desprestígio e de sombra.
    A vida fica turva. Os dias embolorecem. E a nossa disposição oscila entre a apatia, a falta de vontade e o sentimento de impotência infeliz e amorfa.

    A reivindicação e a queixa são refúgios da insatisfação. São manifestações de infelicidade perante o cenário em que vivemos.

    Não esquecer: acção gera reacção. E neste momento a minha proposta é esta: é que no meio de tanta conturbação reivindiquemos por algo que nos ajude a sair do ciclo vicioso da pescadinha pessimista com o rabo na boca. Bora criar um ciclo virtuoso e reivindiquemos um caminho mais alegre, optimista e motivador.

    Hoje, a manifestação é de carinho.

    Que tenham um resto de dia feliz ❤

     
  • CarlaOliveira 15:03 on 13/08/2010 Permalink | Responder
    Tags: , , Ideias,   

    Quanto mais alto se sobe… 

    Gosto de fugir aos cânones, ao óbvio e ao conforto. O português comum – categoria na qual eu me incluo – de imediato termina a frase com “maior é a queda”. E, sim, quando somos tocados pelo desgosto, pela queda, pela perda, pelo despedimento ou por qualquer outro tipo de infortúnio associado ao fracasso das nossas conquistas, acreditamos e vociferamos o aforismo com fervor. E gritamos para que todo o mundo ouça: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDA tentando aliviar o sofrimento associado.

    Ora, três princípios estão intrinsecamente mal nesta postura: em primeiro lugar, o facto de nos auto-recriminarmos, -repreendermos e -flagelarmos por termos alcançado o “alto”, uma posição mais ambiciosa na nossa vida. Na vez de reconhecermos o nosso valor nessa conquista e no trilho que traçámos e desbravámos até ali, reconhecermos as experiências e vivências com as quais aprendemos, damos o facto como inútil e desmerecedor de valor, não o reconhecendo. Erro crasso!

    O segundo mau princípio desta premissa é o facto de nos desresponsabilizar da queda. Ao afirmarmos que o problema foi “a subida” e que estamos a ser “vítimas” da queda, não nos responsabilizamos pelo fracasso ou insucesso do nosso projecto (como se as quedas não fossem também nossa culpa….). Se por um lado o problema não é termos “subido mais alto”, facto do qual devíamos sentir-nos orgulhosos, por outro também não nos podemos desresponsabilizar da não-prossecução dessa subida, como se não tivéssemos encargos ou uma factura sobre as consequências das nossas acções. Está mal!

    Em terceiro lugar, se clamamos à partida que “quanto mais alto se sobe, maior é a queda” para que é que subimos?! Significa isso que não vale a pena subir?! Não, não é… É que nós subimos exactamente por não pensarmos assim, daí termos arriscado. Só que depois não correu bem e precisamos de um refúgio, de uma desculpa… e aí vem o aforismo do alto da sua sapiência desresponsabilizar-se à boa maneira popular: “Pois, quanto mais alto se sobe… maior é a queda… ”

    Oh, meus amigos… são demasiados maus augúrios para uma frase só. Mas não clamo a sua inutilidade. Se ela serve para nos libertar, para nos dar força para seguir em frente e nos serve de bengala para nos ajudar a superar a difícil fase do fracasso, então gritemos todos a alto e bom som: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDAAAAAA.

    Pronto. Já passou.

    Agora esqueçamos o conteúdo e os maus princípios e vamos lá todos acreditar que, na verdade, quanto mais alto se sobe, melhor é a vista! Quanto mais alto se sobe, melhor visão temos sobre o mundo e maior dimensão sobre o que nos rodeia. Quanto mais alto se sobe, maior discernimento e clarividência alcançamos…

    E por isso vos digo, para mim, quanto mais alto se sobre, mais perto ficamos do céu.

    PS – Isto foi um aperitivo para o próximo post com o restante relato da viagem à Madeira. No próximo “capítulo” iremos até alguns dos pontos mais altos da ilha (e de Portugal) – o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro. Até já.
     
  • CarlaOliveira 1:20 on 12/08/2010 Permalink | Responder
    Tags: , , Ideias   

    Let us have faith that right makes might 

    Fachada da Câmara Municipal de Los Angeles

    Sou uma mulher de fé. E desde cedo que a própria Religião soube compreender e até demonstrar em forma de aforismo que a fé pode mover montanhas. No entanto, se nos debruçarmos sobre a célebre expressão “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé” acabamos por perceber que, por vezes, pode ser mais fácil mudar o mundo a favor do indivíduo que mudar a vontade ou a convicção do Homem a favor do mundo (e entendamos “mundo” aqui numa acepção do mundo social, do “Outro”).

    Ah, e tal, se o gaijo (ou “o Senhor Gaijo”, para não ferir as susceptibilidades de ninguém) não quis à montanha, então mude-se lá o mundo e as montanhas a seu favor… Isto não passam de metáforas descontextualizadas e deliberadamente aparvalhadas que demonstram que podemos sempre dar o sentido que quisermos aos ditados e aos aforismos, independentemente do seu sentido original. Podemos usá-las e aplicá-las de várias formas, com vários sentidos ou intenções, conforme os queiramos – ou não – entender.

    Assim é também com o excerto de Licoln. Abstraindo-nos do pendor político que teve no seu contexto, associado à questão dos abusos cegos de poder, a verdade é que a fé e o sentido humano de justiça podem mover montanhas. “Let us have faith that right makes might”. Mas na fé do Homem e na sua noção do que é “right”, no que justo ou injusto é que não ouse ninguém interferir! Somos todos os mais justos, os mais correctos, os detentores da razão – quanto mais não seja, detentores da nossa própria razão, da nossa opinião. E temos esse direito.

    Mas o que é, afinal, o justo quando há mais pessoas em questão? Quando há duas pessoas em questão? Quando há uma família em questão? Uma propriedade? Um país? A Humanindade? O mundo? Não há sentido de justiça que aguente a fronteira do direito que cada Ser individualmente reclama para si. E não há fé que interfira nessa dita ousadia de deixar o Outro interferir na vontade individual de cada um.

    Como disse, sou uma mulher de fé. E também eu reclamo para mim um sentido de justiça no qual acredito e que tento fazer valer. Mas entre Maomé, Lincoln e a vida aprendi algo sobre o sentido de justiça – é que a justiça só é válida quando gera consensos. Isso só se faz tentando deixar entrar a “ousadia” do mundo – ou a ousadia do Outro – nas vontades e convicções individuais de cada um.

    Isto é, às vezes não têm de ser as montanhas a mudar pela casmurrice de um Senhor Gaijo qualquer. Há que ceder. E ceder é deixar que o Outro interfira na nossa noção de justo, nas nossas convicções e opiniões. Só assim se geram consensos e só assim se constrói justiça. Mas daquela válida – da que é consensualmente aceite e faz o mundo girar. Portanto, deixem! Deixem-me ter fé. Deixem-me acreditar nesta justiça. Deixei-me levar pela crença de que o que é correcto pode fazer o mundo girar, mesmo que o mundo gire na mesma sem eu acreditar. Mesmo que a rotação não dependa nem do homem, nem da fé, nem da justiça. Se calhar até é mesmo a montanha que se move. Se calhar é mesmo o mundo que nos move e não o contrário… Mas se não houver um mínimo de fé, um mínimo de justiça, um mínimo de consenso, de que nos vale acreditar que somos nós que fazemos o mundo girar?!

    Eu tenho fé. Eu acredito no sentido de Justiça. E eu acredito que somos nós que fazemos o mundo acontecer. Essa é a condição de ser Homem e para isso só temos de conseguir encontrar os tais consensos que validem a Justiça nas relações, nas famílias, nas propriedades, nos países, na humanidade e no mundo. Só temos que dar espaço à ousadia do Outro entrar no nosso mundo, do Outro ter a sua fé e na crença de que isso é que é viver e fazer o mundo acontecer. Porque se não formos nós, o mundo vai girar na mesma e nós vamos ser meros passageiros inertes, amorfos, indiferentes, invisíveis, inexistentes. E de costas voltadas.

     
  • CarlaOliveira 18:01 on 19/03/2010 Permalink | Responder
    Tags: Ideias,   

    Comédia romântica 

    Aqui há tempos fui ver a “Bela e o Paparazzo” ao cinema e essa memória reavivou-se-me há pouco quando encontrei no meu caderno umas citações algo cómicas, algo românticas, algo dramáticas, diria, que me fizeram lembrar esse momento.

    “Tu fazes-me rir, mas ele fez-me chorar.”

    “Is it still love when he makes me cry?!” (da banda sonora que ainda não descobri qual é…)

    “Precisas de alguma coisa?! Álcool? … Um revólver?” (adoro esta!)

    “Os pinguins só ficam até Sábado.” (Meglio Stasera, baby, go go go!)

     
  • CarlaOliveira 13:46 on 02/02/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Ideias, Silêncio   

    “Que não quer calar a vontade…” 

    Para os menos atentos, no canto superior direito deste blogue encontrarão a expressão que dá o título a este post. Eu sou aquela “que não quer calar a vontade”. Desde há muito. E todos o sabem!

    Porquê?! …Porque não há nada pior que  fazer alguém calar a vontade. Simples, hã?!

    Há apenas três razões que me fazem fazê-lo. A primeira é eu achar que as circuntâncias do momento são francamente inoportunas. Aí, sim, irão ver-me aceder à vontade alheia e calar-me. A outra é simplesmente achar que benefício do meu silêncio é mais frutuito do que qualquer palavra que eu possa proferir (situação à qual eu só acedo em casos-limite de alguém desesperado ou completamente descontrolado que precisa mais de fazer de mim uma depositária de lamúrias do que beber as minhas palavras de conselheira de ocasião). A terceira é quando eu sinto que, pela experiência reunida sobre o meu interlocutor, não vou conseguir nesse momento fazê-lo compreender o que eu quero dizer. Isto é, eu achar que se falar não serei bem sucedida.

    Ou seja, as razões que me levam a aceder ao “silenciamento da vontade” prendem-se com aquilo que eu acredito ser a base da Comunicação que eu professo. A Comunicação como Intenção. Um acto bem sucedido (“successfull”) quer na emissão, no canal, na recepção e na compreensão pelo meu interlocutor. Sem reunir as condições necessárias em todos estes elementos, a Comunicação não cumpre a sua função. É ruído. Não é Comunicação.

    Por este motivo é que as razões que aponto para o silenciamento da vontade se prendem com intenções. Intenção de não querer ser inoportuna. Intenção de querer dar espaço ao interlocutor e, finalmente, a Intenção de me querer fazer entender. Em suma, só silencio a minha vontade quando sinto que isso joga a favor do entendimento no processo de Comunicar.

    Ora, isto é completamente diferente de não falar. Não falar pode ser uma forma de exercer Comunicação. O silêncio pode ser a expressão de muitas Intenções, nomeadamente a expressão da falta de vontade de continuar a comunicar. Ou a expressão da indignação, da ofensa ou do desprezo. Ou a expressão da incapacidade de argumentar devidamente. Ou a expressão da compreensão comprometida que não queremos tornar deliberada. Ou um uivo de emoção que nos prende. Ou uma série de outras coisas….

    Assim, fazer silenciar a vontade é prender as amarras da Comunicação. O silêncio é desatá-las e deixar a intenção e as suas mensagens envergonhadamente à deriva e à mercê da compreensão alheia. Mas ambas são necessárias neste desafio de comunicar. Afinal não se trata de um fluxo contínuo e ininterrupto que rola sobre carris sob ordens e diligências preconcebidas. É antes uma investida pelos caminhos mais sinuosos e inesperados que muitas vezes, em vão, tentamos cristalizar, controlar, entender.

    Poderei não aceder a todos os silenciamentos, mas acedo a alguns. Isso também é comunicar. Poderei comunicar o silêncio e mesmo com silêncio continuarei a comunicar. Mas a vontade? Bem, voltem a olhar para o canto superior direito deste blogue. Sim, na minha vontade mando eu. E eu sou aquela “que não quer calar a vontade”!

    Até breve.

     
  • CarlaOliveira 2:17 on 28/01/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Ideias, Inutilidades   

    A gaveta das tralhas 

    Toda a gente tem uma. Nos lares mais modestos resume-se a uma gaveta, noutros pode ser um móvel ou mesmo uma garagem inteira. A verdade é que toda a gente revela de algum modo – proporcionalmente à gravidade da patologia – essa mania congénita do apego e da desarrumação. Ou da dificuldade de arrumação. Aliás, a dificuldade nos desfazermos daquilo que não nos será mais necessário… À partida.

    E são surpreendentes as coisas que se encontram nesses antros de pequenas inutilidades. Sim, aquelas a que nos agarramos por não nos querermos despedir do passado ou as que não deixamos ir por medo de nos virem a ser precisas no futuro… Caricas. Palitos. Pedaços de plástico. Uma moeda de outro país. Um bilhete de metro recarregável. Um apara-lápis. Um folheto do cinema de mil noevcentos e troca o passo. Um vale de desconto recortado de uma embalagem cuja validade já expirou na Era de Luis XIV. Uns headphones que já só funcionam de um lado. Uma pilha. Um daqueles saquinhos de zip com botões suplentes que vêm nos casacos que entretanto já deitámos fora porque ganharam borboto ou deixaram de servir. Um lápis do IKEA. Um passe de metro do nosso tempo de estudantes. Um porta-chaves daquela marca que já nem sabemos do que é. Uma carteira velha. Um brinde de casamento. Uma pedra da praia. Uma pérola que se descolou de uma medalha. Um isqueiro pardacento que há anos que esqueceu o que é dar lume. Um rato óptico que nunca funcionou bem. Um íman. Um papel de uma garantia por carimbar… E o saquinho zip dos botões do casaco que lá persiste, como persiste a nossa teimosia em não nos desfazemos do que nenhuma falta nos faz.

    Tenho de admitir que me divirto à brava naquelas tarde de Domingo em que acho que devo ficar em casa a cumprir a missão de me tornar alguém prático e organizado. Ou talvez seja absoluta insanidade. Não sei. Mas a verdade é que passo horas a arrumar as carteiras velhas e a recuperar talões e bilhetes que utilizei em férias longínquas, relembrando os locais, as viagens, as peripécias, a experiência… esboçando sorrisos de memórias que pequenos defundos inúteis que insistem em não querer abandonar a minha gaveta das tralhas. Mas desafiante, desafiante é quando encontro um pequeno objecto não identificado que reviro nas mãos insistentemente enquanto revolvo as memórias e os cordelinhos do cérebro para me tentar lembrar onde o terei ido desencantar! Um pedaço do aspirador? Um cascilho partido? … Muitas vezes, de mistério não resolvido, acabo por devolver o pobre objecto ao local de ocupa junto de todas as outras coisas inúteis que perderam o rasto de onde vieram. Mas que poderão algum dia vir a ser úteis. Quem sabe?!

    Por outro lado, ao fim de umas horas partilhadas entre memórias, inutilidades e o pensamento recriminatório “Mulher, nada disso te faz falta”, consigo sentir um certo alívio ao ver que me consegui desfazer de um saco de pequenos lixos. É como se perdesse um pouco da confusão mental que me perturba e, por momentos, sentisse que ainda há esperança para a reles gaveta das tralhas inúteis.

    No outro dia – numa Segunda-feira, provavelmente – estava eu a trocar impressões quotidianas acerca das coisas que tinha reencontrado na gaveta (já longe de me lembrar das outras tantas de que me tinha livrado), quando, com um tom muito prático e despachado, me dizem o seguinte. “Para mim é simples. Se nos últimos 3 anos não precisei daquilo, então também não irei precisar nos próximos três”. Ao que o terceiro interlocutor clama: “Eu? Quando a gaveta deixa de fechar vou buscar um daqueles sacos pretos grandes do lixo, tiro a gaveta da cómoda e viro tudo lá para dentro.” Eu acho que não seria capaz de uma coisa dessas! Muito menos sem antes fazer uma primeira filtragem das inutilidades inúteis e das inutilidades apenas.

    De facto, as gavetas-purgatório das nossas casas podem revelar muito sobre nós. Não só sobre as nossas memórias, como os nossos interesses e a forma como lidamos com a perda, com o julgamento. “Tu vales; tu és inútil”. É sempre um reflexo da crueldade do nosso discernimento e da nossa capacidade de avaliar o útil. Principalmente quando animizamos os objectos. Já imaginaram a tampa da caneta Bic a gritar enquanto cai para o saco do lixo: “E se um dia perderes a tampa de outra caneta e precisares de mim para a tapar? Oh, nãaaaaaaaaaaaaaaaoooo!”.

    Pois… a forma como lidamos com as coisas das quais não nos sabemos desfazer diz muito sobre nós. Primeiro, porque se foram parar ao purgatório foi porque nunca as considerámos verdadeiramente inúteis. Depois, porque não há julgamentos correctos, há, quanto muito, razões, emoções e opiniões favoráveis ou desfavoráveis. E finalmente porque as coisas aparentemente inúteis cumprem uma função para nós. Ou porque algum dia nos foram importantes e marcaram uma memória, ou porque representam um medo, uma insegurança sobre a possibilidade de virmos a precisar delas um dia mais tarde e depois já não as termos.

    (Nas férias do Natal deliciei-me com esta visão da garagem do meu tio… Tirei apenas umas fotografias com o telemóvel, mas acho que de algum modo se adequam…)
     
    • Adília Oliveira 12:15 on 28/01/2010 Permalink | Responder

      Boa reprodução….Carla !!
      Tantas recordações, emoções e momentos de pura magia se encontram guardadas nessas tralhas 😉 É assim … um reviver de coisas adormecidas , mas tão reais !
      É sinal de que nos apegamos às coisas e à vida. Nada nos passa indiferente !!!
      Beijinhos

    • ZValente 23:56 on 07/02/2010 Permalink | Responder

      Toda a gente tem uma, sem dúvida. Coisas materiais que nos fazem falta! Não pelo facto de ter utilidade para o comum mortal, mas sim para a integridade mental. Mas com o tempo começamos a deixar de dar valor às coisas materiais. Damos sim, valor às recordações apega às coisas. São palavras a 3D+, onde podemos sentir a sua forma, cor, peso, ou mesmo cheiro, e claro o efeito secundário dos sentidos em comunicação com o cérebro. Resultam em reacções químicas, surgem sincronizadas descargas eléctricas, bem interpretadas pelo nosso cérebro. Da memória rimos, porque temos tendência para guardar o que de bom tem a nossa vida, mesmo que a desgraça nos tenha tocado. Risos e gargalhadas, da banda desenhada, do balão das conversas intimas que só nós podemos ouvir. Algo do género “Molas da rou…como eu estava”, “Como pode eu fechar-me no meu ser” ou “Como sou capaz de acreditar…” ou algo do género.

      Nunca fui bom no empinanço, sempre pautei por perceber como funcionavam as coisas, “ver os dois lados”. Raras são as vezes em que eu consiga reproduzir da mesma forma o que li ou ouvi. Mas recordo muito bem todas as imagens onde um sentimento intenso aparece, bom ou mau, meu ou de pessoa alheia. Como de um “Sketch” se tratasse. Até apetece agarrar no lápis e …, mas o tempo passa e a firmeza da mão já não é a mesma, falta de treino.
      Mas Inconscientemente, aprendi a nunca subestimar o passado, porque existem recordações que nunca se vão apagar… estão demasiado entranhadas no nosso coração e facilmente voltam a atravessar o nosso corpo até a alma e o olhar…

      Espero que o tempo seja oportuno porque amigo(a) não é aquela que seca as lágrimas, mas sim aquela que nunca as deixa cair, como de uma cascata se tratasse.
      Quando se sentirem sozinhos, sente-se num monte, olhem para a Lua ou o Sol e vejam que eles orbitam sozinhos e nem por isso deixam de dançar e brilhar.

      Mais tarde quando o tempo passar, perceberás que terás um cantinho no ciberespaço com as tuas tralhas úteis organizadas cronologicamente, que sem medo partilhaste com os “desconhecidos”…

  • CarlaOliveira 1:59 on 17/12/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Ideias, , Natal, Sugestões,   

    O Antes, o Agora e o Depois… 

    Caetano Veloso. Este é provavelmente o nome ou a associação que paira neste momento nas vossas cabeças acompanhada por uma memória acústica melodiosa…

    É assim que vos recebo. Bem vindos ao novo rosto do vosso blogue de sempre. Um rosto que une o “tema” do que foi antes com a “imagem” que cá estava agora. Assim iremos seguir para as próximas etapas (pelo menos até que me volte a apetecer mudar! LOL).

    Antes de mais, a grande notícia: Habemus Magistra!!! Após duras provas e batalhas, noites a fio a ler, madrugadas ao computador, dias inteiros de clausura académica, viagens, livros, fotocópias, sublinhados, citações, paginação, impressões, autores, confrontos, ideias e relatórios… Ufff, eis que a maratona chega ao fim com um gratificante sabor a vitória.

    Também a vós o devo, afinal tanta privação haveria de ter algum retorno. Por isso reitero publicamente os agradecimentos que prestei no “caixotinho” agradecendo a todos os que me apoiararam ao longo deste processo, a todos os que souberam compreender a minha ausência e que me deram a mão apesar do meu humor, da impaciência, das inseguranças, dos medos, stresses e dúvidas existenciais. Uma palavra especial para os que me ajudaram na revisão quando a saturação e a falta de discernimento me haviam dominado por completo. Sim, foi possível! Obrigada.

    Agora?! Bem, agora estamos todos dominados pelo espírito natalício e pelo sururu das prendas, dos jantares de Natal, dos objectivos anuais e dos relatórios finais. É uma fase atribulada que, como sempre, passará em menos de um ápice e quando dermos por nós, estaremos a brindar a 2010.

    É altura de balanço, mas antes de nos perdermos em retrospecções, gostaria de deixar dois ou três desejos para todos nós nesta fase:

    1) Activem o modo “slow motion” individual. Por muito que queiram contrariar o tempo e andar a correr de um lado para o outro para fazer valer cada minuto, ele não vai passar mais devagar nem esperará por ninguém. O tempo tem o sabor que lhe atribuirmos e acredito que se nos mentalizarmos de que ele não nos irá atropelar, que somos nós que mandamos nele e não ele em nós, conseguiremos tomar decisões com mais calma e saboreá-las melhor.

    2) Despertem o lado forreta que há em vós. Não se dêem a consumismos desmesurados ou a exageros, seja na compra das prendas ou na alimentação. Há soluções brilhantes e cheias de significado que se podem fazer com poucos recursos e muita criatividade. Nunca é demais relembrar que o valor não está nas coisas, mas nas pessoas e nas atitudes… e isso não se mede nem num dia, nem num objecto.

    3) (Mas) Deixem-se levar pelo espírito. Esquecendo ideologias, credos, hábitos ou convicções, não vale a pena continuar a renunciar ao espírito e aos valores que se vivem nesta quadra e nos quais acreditamos. Bem sei que estão recheados de hipocrisia e de boas intenções efémeras e instantâneas, mas acho que se continuarmos sempre a focar-nos nos aspectos negativos, estaremos apenas a torná-los mais fortes e a perpetuá-los…

    É tudo uma questão de ponto de vista: acalmar a tirania do tempo, ceder à tentação do consumo e tolerar as diferenças de postura e opinião.

    Até breve!

     
    • Adília Oliveira 11:59 on 23/12/2009 Permalink | Responder

      Parabéns «Magistra» 🙂

      Esta meta está conseguida e o mérito é teu.
      Agora novos desafios vão aparecer….Mãos à obra!!!É como se diz «quem quer faz a obra , não espera acontecer»
      E gostei dos pontos de vista 🙂
      Beijinhos

    • Ana Luísa Henriques 22:27 on 23/12/2009 Permalink | Responder

      Já é o teu livro? Carla, tudo o que tens mereces 😉

      • Carlita 10:58 on 28/01/2010 Permalink | Responder

        Olá minha querida. Não, ainda não é o meu livro, afinal, ainda agora acabei o mestrado… LOL. É apenas uma mensagem que queria passar visto que esta foi uma história com final feliz 🙂 Yes, we can. Yes, we did.
        “We” porque não há batalhas solitárias. Muitas das pessoas que me visitam neste capítulo me ajudaram a consegui-lo. Aliás, só o facto de me acompanharem (e terem acompanhado) desde que fui para L.A. conta com um pedacinho da força a que me agarrei para ter chegado ao fim.

        Obrigada a ti. Obrigada a todos.
        Beijinhos,
        Carla

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