“Que não quer calar a vontade…”

Para os menos atentos, no canto superior direito deste blogue encontrarão a expressão que dá o título a este post. Eu sou aquela “que não quer calar a vontade”. Desde há muito. E todos o sabem!

Porquê?! …Porque não há nada pior que  fazer alguém calar a vontade. Simples, hã?!

Há apenas três razões que me fazem fazê-lo. A primeira é eu achar que as circuntâncias do momento são francamente inoportunas. Aí, sim, irão ver-me aceder à vontade alheia e calar-me. A outra é simplesmente achar que benefício do meu silêncio é mais frutuito do que qualquer palavra que eu possa proferir (situação à qual eu só acedo em casos-limite de alguém desesperado ou completamente descontrolado que precisa mais de fazer de mim uma depositária de lamúrias do que beber as minhas palavras de conselheira de ocasião). A terceira é quando eu sinto que, pela experiência reunida sobre o meu interlocutor, não vou conseguir nesse momento fazê-lo compreender o que eu quero dizer. Isto é, eu achar que se falar não serei bem sucedida.

Ou seja, as razões que me levam a aceder ao “silenciamento da vontade” prendem-se com aquilo que eu acredito ser a base da Comunicação que eu professo. A Comunicação como Intenção. Um acto bem sucedido (“successfull”) quer na emissão, no canal, na recepção e na compreensão pelo meu interlocutor. Sem reunir as condições necessárias em todos estes elementos, a Comunicação não cumpre a sua função. É ruído. Não é Comunicação.

Por este motivo é que as razões que aponto para o silenciamento da vontade se prendem com intenções. Intenção de não querer ser inoportuna. Intenção de querer dar espaço ao interlocutor e, finalmente, a Intenção de me querer fazer entender. Em suma, só silencio a minha vontade quando sinto que isso joga a favor do entendimento no processo de Comunicar.

Ora, isto é completamente diferente de não falar. Não falar pode ser uma forma de exercer Comunicação. O silêncio pode ser a expressão de muitas Intenções, nomeadamente a expressão da falta de vontade de continuar a comunicar. Ou a expressão da indignação, da ofensa ou do desprezo. Ou a expressão da incapacidade de argumentar devidamente. Ou a expressão da compreensão comprometida que não queremos tornar deliberada. Ou um uivo de emoção que nos prende. Ou uma série de outras coisas….

Assim, fazer silenciar a vontade é prender as amarras da Comunicação. O silêncio é desatá-las e deixar a intenção e as suas mensagens envergonhadamente à deriva e à mercê da compreensão alheia. Mas ambas são necessárias neste desafio de comunicar. Afinal não se trata de um fluxo contínuo e ininterrupto que rola sobre carris sob ordens e diligências preconcebidas. É antes uma investida pelos caminhos mais sinuosos e inesperados que muitas vezes, em vão, tentamos cristalizar, controlar, entender.

Poderei não aceder a todos os silenciamentos, mas acedo a alguns. Isso também é comunicar. Poderei comunicar o silêncio e mesmo com silêncio continuarei a comunicar. Mas a vontade? Bem, voltem a olhar para o canto superior direito deste blogue. Sim, na minha vontade mando eu. E eu sou aquela “que não quer calar a vontade”!

Até breve.

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