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  • CarlaOliveira 15:03 on 13/08/2010 Permalink | Responder
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    Quanto mais alto se sobe… 

    Gosto de fugir aos cânones, ao óbvio e ao conforto. O português comum – categoria na qual eu me incluo – de imediato termina a frase com “maior é a queda”. E, sim, quando somos tocados pelo desgosto, pela queda, pela perda, pelo despedimento ou por qualquer outro tipo de infortúnio associado ao fracasso das nossas conquistas, acreditamos e vociferamos o aforismo com fervor. E gritamos para que todo o mundo ouça: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDA tentando aliviar o sofrimento associado.

    Ora, três princípios estão intrinsecamente mal nesta postura: em primeiro lugar, o facto de nos auto-recriminarmos, -repreendermos e -flagelarmos por termos alcançado o “alto”, uma posição mais ambiciosa na nossa vida. Na vez de reconhecermos o nosso valor nessa conquista e no trilho que traçámos e desbravámos até ali, reconhecermos as experiências e vivências com as quais aprendemos, damos o facto como inútil e desmerecedor de valor, não o reconhecendo. Erro crasso!

    O segundo mau princípio desta premissa é o facto de nos desresponsabilizar da queda. Ao afirmarmos que o problema foi “a subida” e que estamos a ser “vítimas” da queda, não nos responsabilizamos pelo fracasso ou insucesso do nosso projecto (como se as quedas não fossem também nossa culpa….). Se por um lado o problema não é termos “subido mais alto”, facto do qual devíamos sentir-nos orgulhosos, por outro também não nos podemos desresponsabilizar da não-prossecução dessa subida, como se não tivéssemos encargos ou uma factura sobre as consequências das nossas acções. Está mal!

    Em terceiro lugar, se clamamos à partida que “quanto mais alto se sobe, maior é a queda” para que é que subimos?! Significa isso que não vale a pena subir?! Não, não é… É que nós subimos exactamente por não pensarmos assim, daí termos arriscado. Só que depois não correu bem e precisamos de um refúgio, de uma desculpa… e aí vem o aforismo do alto da sua sapiência desresponsabilizar-se à boa maneira popular: “Pois, quanto mais alto se sobe… maior é a queda… ”

    Oh, meus amigos… são demasiados maus augúrios para uma frase só. Mas não clamo a sua inutilidade. Se ela serve para nos libertar, para nos dar força para seguir em frente e nos serve de bengala para nos ajudar a superar a difícil fase do fracasso, então gritemos todos a alto e bom som: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDAAAAAA.

    Pronto. Já passou.

    Agora esqueçamos o conteúdo e os maus princípios e vamos lá todos acreditar que, na verdade, quanto mais alto se sobe, melhor é a vista! Quanto mais alto se sobe, melhor visão temos sobre o mundo e maior dimensão sobre o que nos rodeia. Quanto mais alto se sobe, maior discernimento e clarividência alcançamos…

    E por isso vos digo, para mim, quanto mais alto se sobre, mais perto ficamos do céu.

    PS – Isto foi um aperitivo para o próximo post com o restante relato da viagem à Madeira. No próximo “capítulo” iremos até alguns dos pontos mais altos da ilha (e de Portugal) – o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro. Até já.
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  • CarlaOliveira 15:23 on 13/09/2009 Permalink | Responder
    Tags: , , Opinião,   

    Esquisitice aguda 

    Esquisitice aguda: eis uma patologia que todos nós temos e que ninguém conseguiu ainda compreender. Trata-se de um fenómeno de desequilíbrio nervoso provocado pelo contacto com determinado objecto ou substância. Normalmente acontece em momentos inesperados que deixam o afectado com arrepios e os pêlos em franja enquanto os assistentes esboçam um olhar perplexo de simultânea incompreensão e gozo. De facto, esta patologia parece não constar ainda portfólio de doenças reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde, mas se constasse seria concerteza na secção de doenças do oculto ou do foro mental. Senão, vejamos…

    Imagem2

    Conheço uma pessoa que não suporta sequer pensar em umbigos. Os umbigos dão-lhe nojo e arrepios e, só de pensar em tocar num – o seu inclusive – perde as forças, fraqueja e fica com pele de galinha. Para essa pessoa, os umbigos são para andar tapados e quanto mais longe, melhor! Explicação?! Ainda não foi encontrada…

    Tenho outra amiga que se contorce toda quando ouve o barulho de uma unha a raspar em alguma coisa, particularmente se for com uma lima devido ao ruído rugoso e seco que provoca. Crrrr, crrrr, crrrr, crrrr, para cá, para lá, para cá, para lá.. e no entretanto ela já está a milhas de distância com os pêlos eriçados a contorcer-se em arrepios. Explicação?! … pois… …

    Mas o repertório continua. Agora vamos a mim, exemplo-mor da esquisitice aguda. Obviamente só de pensar já estou toda arrepiadinha, mas a verdade é que todas as substâncias que reúnam as características de áspero, seco e disperso me deixam completamente….. grrrrrrrr, sem forças. Algodão e esponja estão no topo da categoria, mas aquela substância que se usa para forro de casacos, pegas de cozinha e colchas também. Um dia pus a mão dentro de uma pega de cozinha que se tinha rompido no interior, pela costura, e as minhas unhas roçaram naquela fibra áspera do enchimento. Acho que deixei queimar o que estava no forno porque não consegui voltar à consciência a tempo de salvar o cozinhado…

    Tenho outra amiga que tem uma pancada ainda mais esquisita. Quando está a comer sopa fica sempre na expectativa de encontrar um pedaço de batata que não tenha sido passado. Assim que o encontra começa a bolsar, a regurgitar e não consegue comer absolutamente mais nada… Já lhe perguntei se lhe acontecia o mesmo com sopa não passada, aquela que tem pedacinhos de cenoura e hortaliças, mas não, é só mesmo com batata! Vá-se lá entender estes fenómenos…

    Entre os mais comuns, encontramos o girar de engenhos que fazem guinchos estridentes, como os bancos que se levantam por rosca ou o giz a raspar na ardósia. Eram sempre momentos de gritos quando na sala de aula o giz raspava ou alguém se lembrava de levantar o banco na sala de trabalhos manuais.

    Tanto quanto sei, ainda não há cura para a esquisitice aguda. Médicos especialistas, bruxas e xamans derbuçam-se sobre esta patologia desde há séculos, mas ainda nenhum encontrou a cura para este tipo de devaneio mental que atormenta milhares e milhares de pessoas. E vocês, também têm alguma uma esquisitice aguda?!

     
    • Telma 15:46 on 13/09/2009 Permalink | Responder

      Eu tenho a mesma cena que tu Carlita, tal e qual, e é de facto a unica que tenho.

      • Raqul luz 18:56 on 30/09/2009 Permalink | Responder

        Então e o esferovite? É a pior coisa que existe!!!!

    • Zorze 17:01 on 21/10/2009 Permalink | Responder

      Muitas vezes ao olhar dos outros parecemos muito diferentes, mas no fundo somos todos iguais. Só com alguns gostos diferentes e umas “esquisitices”. É a vida em harmonia.
      EHHHH
      ZINHOS

  • CarlaOliveira 10:40 on 07/07/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Crítica, , Opinião,   

    Brincar com coisas sérias 

    Aposto que muitos de vós, que também andam de transportes públicos, já tiveram oportunidade de ver os cartazes da campanha sobre ejaculação precoce da Sociedade Portuguesa de Andrologia que chegaram ao Metro há uns dias.

    Não?! Então eu relembro-vos. Dizem qualquer coisa como “Há homens que mal entram na estação e já chegaram ao destino” ou “Vai ser tão bom, não foi?” sobre um fundo rosado em degradé onde, no topo, um monte de espermatozoidezinhos sobem pelas palavras acima.

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    Percebo e gosto da ideia de os espermatozíodes fugirem numa direcção ascendente, pois o sentido implícito de algo que aponte para cima é positivo, demonstra poder, força, vigor, expectativa e sucesso (lembrem-se da seta do PSD ou do logo da Citröen ou até o da Vodafone.. Aliás, tentem antes lembrar-se de um logotipo com inclinação para baixo…).

    Não gosto da cor. Acho que a cor não “fala” com o target da mensagem, apesar de eu reconhecer que existe uma coisa chamada “ciclo de influência”. Sim, estava atenta nessa aula! Nem sempre o utilizador do produto/serviço é aquele a quem a nossa mensagem se destina. Há sempre um iniciador, um influenciador, um que decide, o que efectivamente compra/adquire e, finalmente, o que utiliza/usufrui. E raras vezes estas categorias são “a mesma pessoa”. De qualquer modo, isto não justifica que o fundo de uma mensagem sobre a ejaculação precoce se vista de cor-de-rosa. À partida, os homens não prestarão atenção à mensagem porque a cor é dos primeiros (e mais importantes) elementos causadores de sensações. E cor-de-rosa?! Ejaculação precoce?! Parece-me altamente desmotivador…

    Depois a mensagem… claro que todos percebemos a ideia, mas na primeira vez, antes sequer de eu ter percebido de que se tratava, comecei por esboçar um sorriso matreiro qual “conversa de café” ou “piadinha de amigos”. Autmaticamente quando percebi de que se tratava, quem ficou cor-de-rosa fui eu de embaraço por me ter rido de tal situação. Depois todos estes pensamentos críticos me vieram à cabeça e resolvi começar a observar a reacção das pessoas. Primeiro, o sorriso maroto, depois o ar sério. Alguns nem demonstravam o sorriso e começavam logo a abanar a cabeça de um lado para o outro em jeito de indignação… “Como é que é possível brincarem com uma coisa destas?!”.

    Bem, tiro o meu chapéu aos criativos desta peça única de publicidade, afinal puseram-me a mim, ao Adriano Nobre do I e a muitas das pessoas que vi no Metro a versar sobre este assunto, mas nem sempre a comunicação funciona desta maneira. Afinal, estamos todos a falar de comunicação e publicidade e não de ejaculação precoce, certo? De qualquer modo, a Sociedade Portuguesa de Andrologia conseguiu com esta campanha almejar uma maior visibilidade no mercado, resta-lhe agora potenciar esse facto transformando-a em notoriedade.

    Só para concluir, as mensagens em jeito de “piada de mau gosto” ou em “tom anedótico” podem funcionar muitas vezes para criar memorização na cabeça das pessoas, mas quando se referem a temas delicados resultam muitas vezes em indignação ou na desacreditação do tema. Por isso é que a sabedoria popular não se poupa a dizer que “não se brinca com coisas sérias”. Estes temas são normalmente a saúde, o racismo, xenofobia… porque interferem com os valores da dignidade humana.

    Tenho dito. Mas não sem antes dizer que o site da Sociedade Portuguesa de Andrologia é este e a ejaculação precoce é uma situação solucionável. Preferencialmente a dois, para os dois… Informem-se aqui.

     
    • Carlita 10:47 on 07/07/2009 Permalink | Responder

      Depois de ter publicado é que reparei nisto:
      http://oarquitectodacml.blogspot.com/2009/07/viagem-de-metro.html
      e nisto no Twitter:
      “Outro slogan de cartaz sobre disfuncao erectil: “vai ser tão bom, nao foi?””

      Estão a ver?!!?

    • Zorze 23:43 on 08/07/2009 Permalink | Responder

      Com muito agrado verifico que no teu blog, fala um pouco de tudo e de uma forma bastante aberta, coisa que a sociedade actual tem vindo a desenvolver um grande esforço para colmatar os preconceitos do passado, impostos pela cultura, pelos regimes fechados e sobretudo pela religião.
      Falo nesta posição por ter um contacto próximo com a minha afilhada de 11 anos e sua irmã 13 anos (mesmo com a distancia física, vencida com recurso ao pequeno “equipamento”, dos grandes carregamentos!!!), que de vez em quando nos dão grandes lições de como falar destes assuntos e que nos deixam cerebralmente paralisados da forma como são expostos os termos científicos utilizados.
      Agradado fico também quando sinto na escrita uma alegria escondida, é sinal que gostas desta área…Publicidade é claro sua marota 🙂
      Quanto à crítica feita aos cartazes aquando do impacto do primeiro olhar e à reacções da leitura do inesperado, deixa-me pronunciar o seguinte ao causadores da situação e às suas vitimas.
      O referido cartaz é eficiente e atinge os três pontos alvos. Primeiro é identificado o problema, o segundo é o apoio a dar à “vítima” e o terceiro ponto define os devidos procedimentos para solucionar do problema.
      Desta forma passo a intimar!!!:
      O desmotivado vitima, o cartaz pelo positivismo dos espermatozíodes que o chama à atenção na cor de fundo, leu e identificou o seu problema, verificando que não está só…e… também recebe apoio dos causadores de situações.
      Só foi possível porque os causadores de situações olharam para o cartaz, devido à cor que lhe despertou para o positivismo dos espermatozíodes, levando à leitura e assim identificaram a situação.
      É claro que o Doutor recebe uns trocos e fica com o bolço mais cheio. Mas após resolução do problema, os causadores de situações, provocam o desmotivado que já o não é… e ambos são mais felizes!!!
      Ao final desta história deixa de existir a palavra desmotivado, e prevalece eternamente a palavra !!!vítima, causadores de situações!!!
      Estive a brincar um pouco com as palavras, mas não com a situação de quem as transporta. Já tinha ouvido falar do assunto dos dois cartazes mas por impossibilidade profissional ainda não tinha o visto. Partilho da opinião no que respeita aos dois últimos parágrafos e relembro os seguintes tópicos “Maturidade Social”, “Maturidade Publicitária” e “Ética”.
      Para desenvolver com tempo…

    • Nuno 15:10 on 10/07/2009 Permalink | Responder

      À primeira vista pode chocar, mas bem vistas as coisas, e boa atenção nas aulas, bem como no mundo que nos rodeia, para fazer chegar a mensagem ao público-alvo é preciso “gritar”, é preciso sobressair.
      Em termos de comunicação, foram longe e dou-lhes os parabéns por isso. Ainda para mais sendo um assunto de extrema sensibilidade, em que toda a gente se cala e nada se passa.
      A mensagem é um alerta e um sinal de esperança, anuncia que há solução, e que o problema em questão não é o fim do mundo. Mais clara é impossível.

      • Carlita 14:26 on 15/07/2009 Permalink | Responder

        Tens razão, para passar uma mensagem é necessário chamar à atenção. Mas há formas e formas de o fazer. Não é só “chamar à atenção” per se, mas ” às pessoas que queremos chamar à atenção; da forma (no tom) que pretendemos e fazendo passar a mensagem que pretendemos. Eu não questiono que eles tenham efectivamente chamado à atenção. Questiono, sim, o tom e a forma em que o fizeram. Mas, como disse, até isso pode muito bem (e devia!) ser capitalizado a favor da APA.
        Uma campanha funciona quando passa a sua mensagem aos públicos a que se destina E quando isso depois se converte em acção (a compra, a ida ao médico…). Se não falarmos com os públicos certos e passarmos a mensagem certa, como conseguiremos alcançar uma boa taxa de conversão?!

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