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  • CarlaOliveira 15:37 on 20/08/2013 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, Mau Feitio   

    Gente feia 

    Gente feia essa que usa. Gente que se assume e que se revela e que sabe o que vale e que se conhece. Gente que subiu na escada da consciência e consegue ver que uso não é só uma marca de papel higiénico que se vende nos grandes retalhistas alemães. Gente feia, essa que sabe o que sente e que sabe o que faz e que tem a coragem de o fazer conscientemente. Gente gentinha, repleta de pouca-vergonha e de valores duvidáveis…. Gente que se usa da companhia do outro, gente que telefona, dá atenção, que procura companhia, gente que procura um regaço porque sabe bem e faz bem. Gente que se deixa levar pelos sentidos. Gente feia, não é? Gente que escuta o que sente e não permite a mente ou a sociedade ou o olhar da vizinha mitigar a vontade e dar a vitória à censura. Gente feia essa que tem mais coragem que a crítica, gente que nega o que é correcto só porque alguém estipulou que era certo, sendo alguém uma camada de alguéns sem rosto e sem escrúpulos e que não aprendeu nada do alfabeto interior. Cambada de gente essa que se usa dos outros para viver, repito, para VIVER, para saborear a vida sem egoísmos, para sentir, para rir, para rir muito, rir em conjunto e criar sinfonias inaudíveis. Gente que se liberta, que se cura do estigma social que tem mais coragem que a censura que corrói por dentro, que ousa e vai à luta e que nessa investida escolhe alguém para estar junto de si para que o caminho da vida seja mais completo, repleto, pleno e agradável. Partilhado.

    Coisa feia. Gente feia…

    … O bom é que é uma espécie de gente habitualmente carregada de sarcasmo e de ironia que tresanda a anis, a gengibre e a Sonasol e a todas essas coisas não necessariamente más, mas que conseguem incomodar. E essa gente borrifa-se alegremente para todos os que não entendem a diferença entre usar alguém e gostar de alguém. Simplesmente gostar. Sem promessas. Sem renúncias. Sem dívidas. Sem freios.

    E digo mais, é muito presunçoso achar-se em posição de ser necessário ser “usado” para fazer bem a alguém. Como se houvesse alguma solução nisso. Como se isso resolvesse alguma coisa. Como se o facto de se sentir usado significasse que o outro tenha sido útil. Gargalho. Gargalho muito. Não consigo parar de gargalhar. Porque alguém com a coragem de ser gente feia e de assumir querer estar com alguém assim nunca precisaria de se usar de alguém por isso ser instrumentalmente útil. Não é disso que a gente feia precisa. Na verdade, precisava de muito mais, só que os usados não entendem. Feios!

    Who, being loved, is poor? Oscal Wilde Memorial Garden, Dublin.

    Who, being loved, is poor? Oscal Wilde Memorial Garden, Dublin.

     

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  • CarlaOliveira 19:52 on 01/12/2010 Permalink | Responder
    Tags: Feelings   

    Agora?! 

    Agora aguenta, coração. Os dados estão lançados.

     
  • CarlaOliveira 11:55 on 26/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, ,   

    No outro dia falávamos da forma como um blogue é sempre muito mais “intimista”. Este novo tema que escolhi permite actualizações de estado em “micro-messaging”, tal como o Facebook, e acho que vou começar a usá-lo mesmo nesse sentido… O próximo passo será ter login apenas para subscritores. Passamos tanto tempo online, a trabalhar, a estudar, às compras, pagamentos, marcação de exames e consultas, a resolver os assuntos da vida e até mesmo a falar com os nossos próprios familiares que começo mesmo a acreditar que este é meesmo o nosso novo “espaço social”…
    Hoje sinto-me particularmente vazia. E queria que isso ficasse só aqui entre nós, no espaço íntimo desta intimidade que já não temos…

     
  • CarlaOliveira 3:40 on 22/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, ,   

    Começo este post dizendo que o que mais … 

    Começo este post dizendo que o que mais custa ao viajar sozinha é tomar a decisão. Depois, em grau descendente, diria que é superar medos e inseguranças e, em terceiro, termos de lidar com eles todos os dias.

    Tens medo de te perder? Arranja um mapa. Pede ajuda. Está atenta. Se tu não estiveres, ninguém estará por ti. Memoriza pontos de referência e percebe em que sentido estás relativamente a eles (um edifício alto, o mar, o aeroporto…).

    Medo de perder o transporte? Tens de saber arranjar outras soluções. Táxis? Redes de autocarros? Rent-a-car? … Começa a pensar saber de cor a morada para onde queres ir ou tê-la num papel sempre contigo. E o telefone.

    Medo de que te aconteça alguma coisa e ninguém esteja lá para te apoiar? Pois… aí é mesmo aguentares-te à bronca e tentares ir pelos procedimentos legais ou encontrar alguém que te queira ajudar.

    Tens medo de jantar sozinha? Vai meter conversa com alguém.

    Medo de ficar num canto do balcão com o copo na mão olhar o vazio? Leva um livro, uma revista, um mapa, um caderno… não deixes que a ansiedade física te assalte em remexeres de dedos e em evitares de olhar, fingindo que a ausência de companhia te está a perturbar seriamente. Incomoda, sim. Mas deixa-nos simultaneamente orgulhosos por sermos diferentes e enfrentarmos a situação sem o “outro”. Sem “a” companhia.

    Tens medo de que te assaltem, raptem, molestem? Arranja esquemas. Esconde documentos essenciais. Dá os teus dados a alguém para o caso de deixares de “dar sinais de vida”. Esse alguém pode sempre agir, mesmo que à distância. Há truques básicos que muitas pessoas adoptam, mas o melhor é mesmo usar a criatividade para que ninguém mais chegue aos esconderijos e planos a que tu chegaste.

    Medo de seres mal interpretada só pelo facto de estares e/ou viajares sozinha? De ser mal interpretada por meter conversa com alguém, estando sozinha e sem quaisquer intenções adicionais? (sim, isso irá acontecer!) Assume uma postura forte e determinada. Encontra as tuas forças. Sê assertiva. Sai sagazmente do filme. Inventa. Sê criativa. Diverte-te com a superação das tuas inseguranças, mas nunca te deixes levar.

    Em oito dias que estive fora nunca fui capaz de beber mais do que uma bebida por noite. E eu sou habitualmente até bastante resistente aos efeitos do álcool… e bebo com frequência semanal… Mas simplesmente não consegui conceber estar em circunstâncias assim e optar pela via da irresponsabilidade e da libertação em modo mais “inconsciente”… Simplesmente não faz parte de mim. Só o pensar que me tornava um alvo fácil e vulnerável por estar um pouco mais liberta e fora de mim, estando sozinha, tornava-me totalmente incompatível com o álcool e com ambientes de exuberância e exaltação.

    Medo de te enfrentares a ti própria? De enfrentares o facto de estares sozinha? De reflectires e chegares a respostas que não querias ter? De lidares dia-a-dia com as tuas angústias, questões, inquietações e frustrações? Medo de nunca deixares de ter medo?

    Sim, tudo isso acontece. E tudo isso faz sentido. E tudo isso nos elucida. E tudo isso nos torna mais… estúpidas! Porquê? Porque gradualmente vamos atingindo a consciência e a lucidez e, ao atingi-las, tornamo-nos cúmplices e responsáveis pelas nossas atitudes e decisões de aí em diante. Como se fôssemos um “big brother” de nós mesmos, um outro “eu” que nos observa e condena por não fazermos o que já percebemos que está incorrecto. E não tomarmos o caminho que percebemos que devemos tomar. É como se nos tornássemos o anjinho ou o diabinho do nosso ombro direito e esquerdo.

    Estar sozinho é um caminho para a auto-compreensão e não para a solidão, como eu pensei no início desta viagem.

    Estar sozinho é um desafio interior, mais do que um desafio social do que “os outros” nos poderão fazer ou achar de nós (ou daquilo que poderemos fazer com os outros…). Temos a consciência de que nunca mais iremos ver aquelas pessoas e elas nunca mais nos irão ver a nós… e isso dá-nos aquele sentimento de liberdade que devíamos ter no dia-a-dia “normal”, mas que simplesmente não nos permitimos ter…

    Andei mal vestida e não me senti culpada.

    Não dei gorjetas e não me senti comprometida.

    Perguntei coisas óbvias e não me senti estúpida.

    Pedi ajuda e não me senti inferior.

    Pedi conselhos e não me senti incapaz.

    Tirei fotografias em público nas poses mais inesperadas e não me senti uma estranha na multidão.

    No fundo, a libertação que sentimos no mundo desconhecido não passa de uma libertação das nossas próprias repressões. As que criamos para nós pela nossa ideia de potencial repreensão alheia. Estar sozinho liberta-nos da censura que achamos que os outros vão ter porque simplesmente não nos importamos com isso! Nunca mais os iremos voltar a ver! Damo-nos a oportunidade de sermos “nós” porque temos uma relação efémera e livre de juízos de valor e das suas consequências por parte dos outros.

    E é isso que depois nos assusta. Até que ponto é que a nossa liberdade nos deixa confortáveis?! Até que ponto é que sermos nós próprios é fácil e nos faz sentir bem (quando estamos habituados a viver comprimidos na liberdade que nos castramos). É mais ou menos como sairmos da segurança da barriga das nossas mães e de repente percebermos que estamos por nossa conta. Temos de respirar sozinhos, puxar pelo alimento se nos quisermos alimentar e ir aprendendo a enfrentar o frio, o toque, a gravidade, e todos aqueles desafios que vamos descobrindo ao longo da vida. Porque ser autêntica é libertarmo-nos da repreensão auto-infligida que ao longo da vida fomos integrando como parte da nossa identidade também. E é isso que custa. Sermos “nós” é abdicarmos também de algo que construímos para nós por impulsos de auto-protecção. Não havendo perspectiva de futuro, não há espaço para a consequência da repreensão, porque tudo o resto será tão efémero que morrerá ali. E, logo, não precisamos desse tipo de protecção…

    Complexo?

    Talvez…

    Difícil? Sim, porque (como disse) nos tornamos cúmplices dos nossos erros a partir do momento em que temos consciência de que eles existem e os continuamos a protelar. Difícil porque, depois da consciência, nos tornamos os primeiros repreensores da nossa própria falta de coragem, do nosso próprio amorfismo e apatia tão confortáveis. Difícil porque o confronto com a nossa imperfeição nos mói e nos mata ao mesmo tempo que nos indica um caminho melhor – que não optamos trilhar. Por cobardia.

    E voltamos cheios de garra e cheios de nós. Fomos, viemos, tivemos medo, tivemos abordagens que não queríamos, tivemos momentos alegres, outros tristes, outros emocionantes, outros entediantes. E vimo-nos obrigados a partilhar isso connosco… E contar só connosco. E viver só connosco. E jantar só connosco. Apreciar um gin só connosco. E rirmo-nos de nós. E é uma descoberta porque a verdade é que nos adiamos e anulamos no quotidiano das nossas zonas de conforto habituais.

    A única coisa que posso dizer depois de tanta explanação é: Veni. Vidi. Vici. E vou voltar.

     
  • CarlaOliveira 1:23 on 12/09/2010 Permalink | Responder
    Tags: Arriscar, , Corfu, Feelings, Grécia, ,   

    E tu, arriscavas? 

    Se por acaso do destino as tuas férias marcadas a dois ficassem sem efeito para a tua companhia, ias na mesma? Sozinha?!

    Não querendo parecer preconceituosa, o factor “género” aqui tem um certo peso. Pelo menos para mim teve… Se para um homem ir de férias sozinho pode parecer uma decisão fácil e até algo comum, para uma mulher a  falta de companhia pode revelar-se um grande entrave mental… Falta um sentimento de segurança, de apoio e de confiança nem sempre fácil de superar. É um desafio.

    Sim. É isso mesmo, estou prestes a abrir um novo capítulo na minha vida, desta vez na ilha de Corfu, na Grécia. A viagem estava marcada, os dias estavam tirados, as expectativas estavam lá em cima e a vontade de me superar falou mais alto. Quais medos? Quais inseguranças? Qual zona de conforto? Parar é morrer e abdicar seria dar força ao fracasso da vontade, perpetuar o conformismo e fechar-me com os meus fantasmas interiores.

    Não! O caminho é em frente e estas vão ser as minhas primeiras férias sozinha. Sete dias para conquistar uma ilha, apanhar sol, passear, tirar umas fotos, dar uns mergulhos, conhecer pessoas e experimentar coisas novas, novos mundos, nova cultura. Aos medos, vou guardá-los na mesma caixinha do juízo e da razão pois sei que serão bons conselheiros para tomar boas decisões. Confio em mim e no meu discernimento, na minha capacidade de avaliar o correcto e o inconsequente e reconhecer os riscos e os perigos. Por essa razão sei que tudo vai correr bem e conto voltar uma mulher mais forte e confiante. Menos medrosa, diria! E quando isso acontecer vou olhar para este post e ver que os medos e inseguranças não passavam de argumentos infundados que insistiam em se acomodar na zona de conforto da minha cabeça. E vou orgulhar-me de ter arriscado.

    A todos os que me apoiaram e deram força à minha decisão, o meu obrigada. Aos restantes, espero poder provar que arriscar é superar-nos e que vencer só é possível quando arriscamos.

    Vou partir na Terça feira à noite. Wish me luck!!!

     
  • CarlaOliveira 15:03 on 13/08/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings, ,   

    Quanto mais alto se sobe… 

    Gosto de fugir aos cânones, ao óbvio e ao conforto. O português comum – categoria na qual eu me incluo – de imediato termina a frase com “maior é a queda”. E, sim, quando somos tocados pelo desgosto, pela queda, pela perda, pelo despedimento ou por qualquer outro tipo de infortúnio associado ao fracasso das nossas conquistas, acreditamos e vociferamos o aforismo com fervor. E gritamos para que todo o mundo ouça: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDA tentando aliviar o sofrimento associado.

    Ora, três princípios estão intrinsecamente mal nesta postura: em primeiro lugar, o facto de nos auto-recriminarmos, -repreendermos e -flagelarmos por termos alcançado o “alto”, uma posição mais ambiciosa na nossa vida. Na vez de reconhecermos o nosso valor nessa conquista e no trilho que traçámos e desbravámos até ali, reconhecermos as experiências e vivências com as quais aprendemos, damos o facto como inútil e desmerecedor de valor, não o reconhecendo. Erro crasso!

    O segundo mau princípio desta premissa é o facto de nos desresponsabilizar da queda. Ao afirmarmos que o problema foi “a subida” e que estamos a ser “vítimas” da queda, não nos responsabilizamos pelo fracasso ou insucesso do nosso projecto (como se as quedas não fossem também nossa culpa….). Se por um lado o problema não é termos “subido mais alto”, facto do qual devíamos sentir-nos orgulhosos, por outro também não nos podemos desresponsabilizar da não-prossecução dessa subida, como se não tivéssemos encargos ou uma factura sobre as consequências das nossas acções. Está mal!

    Em terceiro lugar, se clamamos à partida que “quanto mais alto se sobe, maior é a queda” para que é que subimos?! Significa isso que não vale a pena subir?! Não, não é… É que nós subimos exactamente por não pensarmos assim, daí termos arriscado. Só que depois não correu bem e precisamos de um refúgio, de uma desculpa… e aí vem o aforismo do alto da sua sapiência desresponsabilizar-se à boa maneira popular: “Pois, quanto mais alto se sobe… maior é a queda… ”

    Oh, meus amigos… são demasiados maus augúrios para uma frase só. Mas não clamo a sua inutilidade. Se ela serve para nos libertar, para nos dar força para seguir em frente e nos serve de bengala para nos ajudar a superar a difícil fase do fracasso, então gritemos todos a alto e bom som: QUANTO MAIS ALTO SE SOBE, MAIOR É A QUEDAAAAAA.

    Pronto. Já passou.

    Agora esqueçamos o conteúdo e os maus princípios e vamos lá todos acreditar que, na verdade, quanto mais alto se sobe, melhor é a vista! Quanto mais alto se sobe, melhor visão temos sobre o mundo e maior dimensão sobre o que nos rodeia. Quanto mais alto se sobe, maior discernimento e clarividência alcançamos…

    E por isso vos digo, para mim, quanto mais alto se sobre, mais perto ficamos do céu.

    PS – Isto foi um aperitivo para o próximo post com o restante relato da viagem à Madeira. No próximo “capítulo” iremos até alguns dos pontos mais altos da ilha (e de Portugal) – o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro. Até já.
     
  • CarlaOliveira 1:20 on 12/08/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings,   

    Let us have faith that right makes might 

    Fachada da Câmara Municipal de Los Angeles

    Sou uma mulher de fé. E desde cedo que a própria Religião soube compreender e até demonstrar em forma de aforismo que a fé pode mover montanhas. No entanto, se nos debruçarmos sobre a célebre expressão “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé” acabamos por perceber que, por vezes, pode ser mais fácil mudar o mundo a favor do indivíduo que mudar a vontade ou a convicção do Homem a favor do mundo (e entendamos “mundo” aqui numa acepção do mundo social, do “Outro”).

    Ah, e tal, se o gaijo (ou “o Senhor Gaijo”, para não ferir as susceptibilidades de ninguém) não quis à montanha, então mude-se lá o mundo e as montanhas a seu favor… Isto não passam de metáforas descontextualizadas e deliberadamente aparvalhadas que demonstram que podemos sempre dar o sentido que quisermos aos ditados e aos aforismos, independentemente do seu sentido original. Podemos usá-las e aplicá-las de várias formas, com vários sentidos ou intenções, conforme os queiramos – ou não – entender.

    Assim é também com o excerto de Licoln. Abstraindo-nos do pendor político que teve no seu contexto, associado à questão dos abusos cegos de poder, a verdade é que a fé e o sentido humano de justiça podem mover montanhas. “Let us have faith that right makes might”. Mas na fé do Homem e na sua noção do que é “right”, no que justo ou injusto é que não ouse ninguém interferir! Somos todos os mais justos, os mais correctos, os detentores da razão – quanto mais não seja, detentores da nossa própria razão, da nossa opinião. E temos esse direito.

    Mas o que é, afinal, o justo quando há mais pessoas em questão? Quando há duas pessoas em questão? Quando há uma família em questão? Uma propriedade? Um país? A Humanindade? O mundo? Não há sentido de justiça que aguente a fronteira do direito que cada Ser individualmente reclama para si. E não há fé que interfira nessa dita ousadia de deixar o Outro interferir na vontade individual de cada um.

    Como disse, sou uma mulher de fé. E também eu reclamo para mim um sentido de justiça no qual acredito e que tento fazer valer. Mas entre Maomé, Lincoln e a vida aprendi algo sobre o sentido de justiça – é que a justiça só é válida quando gera consensos. Isso só se faz tentando deixar entrar a “ousadia” do mundo – ou a ousadia do Outro – nas vontades e convicções individuais de cada um.

    Isto é, às vezes não têm de ser as montanhas a mudar pela casmurrice de um Senhor Gaijo qualquer. Há que ceder. E ceder é deixar que o Outro interfira na nossa noção de justo, nas nossas convicções e opiniões. Só assim se geram consensos e só assim se constrói justiça. Mas daquela válida – da que é consensualmente aceite e faz o mundo girar. Portanto, deixem! Deixem-me ter fé. Deixem-me acreditar nesta justiça. Deixei-me levar pela crença de que o que é correcto pode fazer o mundo girar, mesmo que o mundo gire na mesma sem eu acreditar. Mesmo que a rotação não dependa nem do homem, nem da fé, nem da justiça. Se calhar até é mesmo a montanha que se move. Se calhar é mesmo o mundo que nos move e não o contrário… Mas se não houver um mínimo de fé, um mínimo de justiça, um mínimo de consenso, de que nos vale acreditar que somos nós que fazemos o mundo girar?!

    Eu tenho fé. Eu acredito no sentido de Justiça. E eu acredito que somos nós que fazemos o mundo acontecer. Essa é a condição de ser Homem e para isso só temos de conseguir encontrar os tais consensos que validem a Justiça nas relações, nas famílias, nas propriedades, nos países, na humanidade e no mundo. Só temos que dar espaço à ousadia do Outro entrar no nosso mundo, do Outro ter a sua fé e na crença de que isso é que é viver e fazer o mundo acontecer. Porque se não formos nós, o mundo vai girar na mesma e nós vamos ser meros passageiros inertes, amorfos, indiferentes, invisíveis, inexistentes. E de costas voltadas.

     
  • CarlaOliveira 20:55 on 04/07/2010 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings,   

    Uma palavra a dizer. 

    Aliás, muitas.

    E isto sou eu: ainda agora disse uma coisa e já me apetece dizer outra. Ainda agora estava alegre e bem disposta e bastou um estalar de dedos para me pôr completamente fora de mim… E depois tudo o que sinto e sei é que “Life is a rollercoaster you just got ride it”.

    Don’t fight it…

     
  • CarlaOliveira 2:31 on 02/02/2010 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, , ,   

    Um ano de Capítulo. 

    Já passou um ano desde o início deste Capítulo…

    Começou como um “Capítulo em LA” e em breve se tornou “Um Capítulo Aqui“. Claro que os “Aquis” já tomaram várias formas… Por aqui e noutras paradas para lá do rectângulo. Bruxelas, Madrid, Alcabideche, Cascais, Oeiras, Coimbra, Porto… Tantos locais, tantos sonhos, tantas aventuras, tantos mundos, tantas histórias a que demos vida e que fizemos existir…

    … Hoje resto eu. Restamos nós. Restam-nos os sonhos, os “Aquis” sonhados que vamos construindo e que fazemos acontecer.

    … Hoje?… 

    … Hoje não estou particularmente inspirada… Esta já é a terceira vez que dou a oportunidade a este post… Mais do que palavras, hoje fica um silêncio. Neste momento é tudo o que preciso aqui.

     
  • CarlaOliveira 0:11 on 23/11/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings, , Mudança, Poesia, ,   

    Mudam-se os tempos… 

    Olá Amigos,

    Só um pequeno post para matar a saudades da escrita não-académica, pois também a ela fiquei a dever a minha atenção…

    Como sabem, já entreguei “o caixotinho” e felizmente tive dois dias sem ter de rever textos, autores, bibliografia, citações, formatações, glossários e afins. Como perfeccionista que sou, sinto que o meu trabalho poderia estar muito melhor e tinha uma vontade quase irrepreensível de continuar investigar e escrever ad eternum sobre o assunto. Na verdade, quase cedi à vontade de incluir novos elementos no texto no dia anterior à entrega e mandar o “32 mil” às urtigas! [falo de palavras, entenda-se] Felizmente o cansaço falou mais alto e quedei-me por ali, senão ainda agora estaria a “Obamar”…

    Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades. Em dias, passei da angústia de ter de entregar a Dissertação para a angústia de ter uma Sexta-feira sem “nada” para fazer.  Em parcas horas, passei da angústia de “não ter nada para fazer” para a ansiedade de ter de preparar o próximo passo, antecipando aquele a que chamei “o momentum“. Curiosamente, de todos, o que mais me custou foi o vazio da Sexta-feira, LOL!

    Mas, falemos de mudança…

    Durante a última semana, numa viagem ao Porto, parei numa estação de serviço em Antuã e consegui que o telemóvel captasse a seguinte imagem que os meus olhos não quiseram deixar passar despercebida:

    Laranja. Verde. Vermelho.

    As cores das folhas que as árvores vestiam lembraram-me do tempo que passou sem me aperceber. Mais! Lembraram-me da incoincidência de estarmos no fim de Novembro e as árvores ainda vestirem o último grito da colecção de Outono. O próprio tempo perdeu a noção de tempo porque nós quisemos agarrá-lo com medo de o perder. Parece que não sou só eu que ando às avessas, o mundo também. Este ano está a ser um verdadeiro lufa-lufa de aventuras e emoções que muitas vezes nos faz esquecer a beleza das pequenas coisas que estão mesmo ali e em que insistimos em nem reparar… Quando olhamos, não só as coisas mudaram como mudou o próprio processo de mudar.

    Peço o verbo a Camões que melhor do que eu o soube dizer com a arte sonetista de outros tempos: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades”.

    … Não se muda já como soía. E por isso também eu me encontro “Em mudanças” há tanto tempo. Também eu tive de amareceler e perder algumas das minhas folhas, mas em breve voltarei à Primavera da vida com a força de uma nova etapa e com novas ideias a florescer.

    Até já 😉

     
    • adília oliveira 12:39 on 23/11/2009 Permalink | Responder

      Como eu sei do que falas!!!

      E na vida, estamos sempre em constantes mudanças.Eu , tal como

      citas Camões, acho que a nossa permanente mudança é sinal de que agarrámos a

      vida e a cada passo se segue outro e outro e outro….desejo sim é que o passo

      seguinte envergue « novas qualidades ».Para já tens um desafio que não te pode

      deixar vazios… E depois venha lá a Primavera!! 🙂 Beijinhos primaveris 😉

    • Mónia Torres 23:15 on 24/11/2009 Permalink | Responder

      Minha querida, nem imaginas o quão bom é poder ler-te…
      Estou orgulhosa de ti, pois conseguiste superar mais uma etapa da tua vida, com a tua tão característica força de vontade.
      És linda!!!
      Fico feliz por saber que posso compartilhar contigo todas as estações do ano!
      Venha daí essa tão esperada Primavera, recheada de novas aventuras, emoções fortes e vitórias, como tu mereces.

      Bjocas saudosas da tua baixinha 😉

    • NSilva 16:11 on 27/11/2009 Permalink | Responder

      Ai, esse vazio do “nada que fazer”, do day after… tens sempre a ti, aos outros para fazer um bocadinho mais… ou optas pelo “fazer nada”, o famosos dolce fare niente, que tanto custa a aprender.
      Fica o desafio: aprenderes um bocadinho (vá, só um bocadinho por dia, vá) de dolce fare niente… tem um sabor estranho, mas agradável acho.

      🙂

      Bjs e mais uma vez parabéns pel vitória!

    • Zorze 18:14 on 14/12/2009 Permalink | Responder

      Que saudade tinha, (tínhamos), das palavrinhas bem apuradas da menina dos caracóis. Sente-se uma alegria imensa, um ad eternum de quem sabe e gosta de escrever.
      “O caixotinho” de sapiência já lá vai… a angustia presente do vazio! A verdadeira lufa-lufa da aventura! Que cabeça pensante tu tens… “O momentum”…
      Será a continuação da tua ideia, o que transcrevo do outro grande poeta Português:

      Vive, dizes, no presente;
      Vive só no presente.

      Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
      Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede.

      O que é o presente?
      É uma coisa relativa ao passado e ao futuro.
      É uma coisa que existe em virtude de outras coisas existirem.
      Eu quero só a realidade, as coisas sem presente.

      Não quero incluir o tempo no meu esquema.
      Não quero pensar nas coisas como presentes; quero pensar nelas como coisas.
      Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

      Eu nem por reais as devia tratar.
      Eu não as devia tratar por nada.

      Eu devia vê-las, apenas vê-las;
      Vê-las até não poder pensar nelas,
      Vê-las sem tempo, nem espaço,
      Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
      É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

      Muitos parabéns pelo esforço despendido e continua com a tua vontade de investigar e escrever.
      É bom andar sempre em mudança, do que na dor…
      Zinhos

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