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  • CarlaOliveira 3:30 on 30/11/2010 Permalink | Responder
    Tags: Devaneios,   

    In&Out – A Higiene é simples. 

    Conceito Criativo: Caixote do Lixo Funcional
    Nome Comercial: In&Out©
    O Problema:
    Todos nós compramos sacos do lixo fechados, enrolados em rolos e divididos por uns picotados que vamos desenrolando para os destacar, abrir e colocar de novo no caixote do lixo.
    Ora, vários passos desagradáveis há em todo este processo, o que tem levado várias empresas a investir na minimização do desconforto no acto de trocar o saco do lixo. Senão, vejamos:
    -Inovação de agora terem fecho fácil – só é necessário puxar a fita para que o saco se feche. Depois é dar um nó e pronto.
    -Contra o cheiro desagradável agora há sacos do lixo com cheiro. Pena que só dure enquanto o saco está vazio, mas até resulta. A questão é que após o lixo estar lá dentro o cheiro é anulado.
    – Que tamanho de saco escolher? Para facilitar, uniformizaram-se os tamanhos pela “litragem” do caixote do lixo, 30 litros, 50litros. Não obstante, muitos de nós compramos frequentemente o número acima ou o número abaixo e damos por nós a esticar as bordas ao saco na expectativa de que ele encaixe no caixote sem se romper.
    Mas um outro grupo de “nós” não compra estes sacos de lixo. Ou não os usa sempre. Na maioria das vezes até reutilizamos os sacos de plástico dos hipermercados que, mesmo sem as complicações da capacidade de 20 ou 30 litros, costumam caber na “boca” do caixote do lixo, têm a facilidade de terem as alças grandes, o que nos ajuda a não termos de tocar directamente no rebordo do caixote pois basta voltá-las para baixo e, no fim, até nos ajudam a dar o nó, para fechar o lixo lá dentro.
    -Finalmente, a pior parte: tirar o saco do lixo fechado e trocar por um saco novo… Bleag. Cheira mal, é anti-higiénico e obriga a um contacto próximo com o caixote conspurcado…
    Posto isto…
    Vinha eu no pára-arranca da A5 a caminho de casa quando dei vida a uma ideia que não faço ideia como se pode por em prática, mas que resolvi partilhar: porque não construir um sistema dispensador de sacos do lixo em que eles já estariam uns dentro dos outros, prontos a usar, seria só tirar o saco usado e o outro ficaria imediatamente colocado e pronto a ser utilizado?!
    A ideia é uma marca vender como seus “consumíveis exclusivos” um género de pack de sacos enfiados uns nos outros, que se armam para ficarem com a forma do próprio depósito do caixote do lixo. Ao armar-se, ficam exactamente colocados como deve ser, sem termos de ajustar com a mão ou pôr uma “virola” do saco para fora do depósito para que o saco não fuja…
    Nos cantos inferiores do conjunto de sacos haveria um sistema “agregador” que, quando levasse um puxão, dispensasse o saco sobreposto. O saco de baixo ficaria intocável e surpreendentemente bem colocado, como desejo de qualquer utilizador!
    Seriam fortes, resistentes e com fecho fácil.
    Podia haver em verde, amarelo, azul e laranja, como nos Ecopontos. (Laranja para os desperdícios e restos). Ou então com cores a combinar com os caixotes, à semelhança do que fez a Renova que tornou o papel higiénico num objecto de luxo, requinte e distinção (Ler aqui ou aqui)…
    Em vez de serem os sacos a ter o cheiro, este novo caixote seria como o Brise Toque&Fresh, accionável quando se carregasse no pedal para abrir a tampa, ou então como o novo Brise Sense&Spray, accionável mediante o movimentoquando alguém se aproximasse ou fosse pôr algo ao lixo (http://www.brise.pt/).
    A venda das recargas seria feita como complemento do modelo específico do caixote do lixo e podia comprar-se “dobrado”, para ocupar menos espaço em termos logísticos e de distribuição. Depois, para aplicação, seria só desdobrar que ele armava-se sozinho como as tendas da Quechua, ajustando-se perfeitamente ao interior do caixote! O material poderia continuar a ser plástico, mas 100% reciclado, claro.
    Fantástico, hein?!
    Adeus rolos de sacos. Adeus sacos perfumados. Adeus sacos do hipermercado (usem os reutilizáveis ultra resistentes…) E agora resta que alguma das marcas se lembre pegar na ideia e torná-la real. É que já basta de andarmos sempre a disputar lá em casa: “Hoje é a tua vez de pôr o novo saco do lixo!”, “Mas eu já pus ontem…”, “Fogo, pah, calha-me sempre a mim…”.
    Grrrrr.
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  • CarlaOliveira 1:20 on 12/08/2010 Permalink | Responder
    Tags: Devaneios, ,   

    Let us have faith that right makes might 

    Fachada da Câmara Municipal de Los Angeles

    Sou uma mulher de fé. E desde cedo que a própria Religião soube compreender e até demonstrar em forma de aforismo que a fé pode mover montanhas. No entanto, se nos debruçarmos sobre a célebre expressão “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé” acabamos por perceber que, por vezes, pode ser mais fácil mudar o mundo a favor do indivíduo que mudar a vontade ou a convicção do Homem a favor do mundo (e entendamos “mundo” aqui numa acepção do mundo social, do “Outro”).

    Ah, e tal, se o gaijo (ou “o Senhor Gaijo”, para não ferir as susceptibilidades de ninguém) não quis à montanha, então mude-se lá o mundo e as montanhas a seu favor… Isto não passam de metáforas descontextualizadas e deliberadamente aparvalhadas que demonstram que podemos sempre dar o sentido que quisermos aos ditados e aos aforismos, independentemente do seu sentido original. Podemos usá-las e aplicá-las de várias formas, com vários sentidos ou intenções, conforme os queiramos – ou não – entender.

    Assim é também com o excerto de Licoln. Abstraindo-nos do pendor político que teve no seu contexto, associado à questão dos abusos cegos de poder, a verdade é que a fé e o sentido humano de justiça podem mover montanhas. “Let us have faith that right makes might”. Mas na fé do Homem e na sua noção do que é “right”, no que justo ou injusto é que não ouse ninguém interferir! Somos todos os mais justos, os mais correctos, os detentores da razão – quanto mais não seja, detentores da nossa própria razão, da nossa opinião. E temos esse direito.

    Mas o que é, afinal, o justo quando há mais pessoas em questão? Quando há duas pessoas em questão? Quando há uma família em questão? Uma propriedade? Um país? A Humanindade? O mundo? Não há sentido de justiça que aguente a fronteira do direito que cada Ser individualmente reclama para si. E não há fé que interfira nessa dita ousadia de deixar o Outro interferir na vontade individual de cada um.

    Como disse, sou uma mulher de fé. E também eu reclamo para mim um sentido de justiça no qual acredito e que tento fazer valer. Mas entre Maomé, Lincoln e a vida aprendi algo sobre o sentido de justiça – é que a justiça só é válida quando gera consensos. Isso só se faz tentando deixar entrar a “ousadia” do mundo – ou a ousadia do Outro – nas vontades e convicções individuais de cada um.

    Isto é, às vezes não têm de ser as montanhas a mudar pela casmurrice de um Senhor Gaijo qualquer. Há que ceder. E ceder é deixar que o Outro interfira na nossa noção de justo, nas nossas convicções e opiniões. Só assim se geram consensos e só assim se constrói justiça. Mas daquela válida – da que é consensualmente aceite e faz o mundo girar. Portanto, deixem! Deixem-me ter fé. Deixem-me acreditar nesta justiça. Deixei-me levar pela crença de que o que é correcto pode fazer o mundo girar, mesmo que o mundo gire na mesma sem eu acreditar. Mesmo que a rotação não dependa nem do homem, nem da fé, nem da justiça. Se calhar até é mesmo a montanha que se move. Se calhar é mesmo o mundo que nos move e não o contrário… Mas se não houver um mínimo de fé, um mínimo de justiça, um mínimo de consenso, de que nos vale acreditar que somos nós que fazemos o mundo girar?!

    Eu tenho fé. Eu acredito no sentido de Justiça. E eu acredito que somos nós que fazemos o mundo acontecer. Essa é a condição de ser Homem e para isso só temos de conseguir encontrar os tais consensos que validem a Justiça nas relações, nas famílias, nas propriedades, nos países, na humanidade e no mundo. Só temos que dar espaço à ousadia do Outro entrar no nosso mundo, do Outro ter a sua fé e na crença de que isso é que é viver e fazer o mundo acontecer. Porque se não formos nós, o mundo vai girar na mesma e nós vamos ser meros passageiros inertes, amorfos, indiferentes, invisíveis, inexistentes. E de costas voltadas.

     
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