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  • CarlaOliveira 20:55 on 04/07/2010 Permalink | Responder
    Tags: Emoções, ,   

    Uma palavra a dizer. 

    Aliás, muitas.

    E isto sou eu: ainda agora disse uma coisa e já me apetece dizer outra. Ainda agora estava alegre e bem disposta e bastou um estalar de dedos para me pôr completamente fora de mim… E depois tudo o que sinto e sei é que “Life is a rollercoaster you just got ride it”.

    Don’t fight it…

     
  • CarlaOliveira 2:17 on 28/01/2010 Permalink | Responder
    Tags: Emoções, , Inutilidades   

    A gaveta das tralhas 

    Toda a gente tem uma. Nos lares mais modestos resume-se a uma gaveta, noutros pode ser um móvel ou mesmo uma garagem inteira. A verdade é que toda a gente revela de algum modo – proporcionalmente à gravidade da patologia – essa mania congénita do apego e da desarrumação. Ou da dificuldade de arrumação. Aliás, a dificuldade nos desfazermos daquilo que não nos será mais necessário… À partida.

    E são surpreendentes as coisas que se encontram nesses antros de pequenas inutilidades. Sim, aquelas a que nos agarramos por não nos querermos despedir do passado ou as que não deixamos ir por medo de nos virem a ser precisas no futuro… Caricas. Palitos. Pedaços de plástico. Uma moeda de outro país. Um bilhete de metro recarregável. Um apara-lápis. Um folheto do cinema de mil noevcentos e troca o passo. Um vale de desconto recortado de uma embalagem cuja validade já expirou na Era de Luis XIV. Uns headphones que já só funcionam de um lado. Uma pilha. Um daqueles saquinhos de zip com botões suplentes que vêm nos casacos que entretanto já deitámos fora porque ganharam borboto ou deixaram de servir. Um lápis do IKEA. Um passe de metro do nosso tempo de estudantes. Um porta-chaves daquela marca que já nem sabemos do que é. Uma carteira velha. Um brinde de casamento. Uma pedra da praia. Uma pérola que se descolou de uma medalha. Um isqueiro pardacento que há anos que esqueceu o que é dar lume. Um rato óptico que nunca funcionou bem. Um íman. Um papel de uma garantia por carimbar… E o saquinho zip dos botões do casaco que lá persiste, como persiste a nossa teimosia em não nos desfazemos do que nenhuma falta nos faz.

    Tenho de admitir que me divirto à brava naquelas tarde de Domingo em que acho que devo ficar em casa a cumprir a missão de me tornar alguém prático e organizado. Ou talvez seja absoluta insanidade. Não sei. Mas a verdade é que passo horas a arrumar as carteiras velhas e a recuperar talões e bilhetes que utilizei em férias longínquas, relembrando os locais, as viagens, as peripécias, a experiência… esboçando sorrisos de memórias que pequenos defundos inúteis que insistem em não querer abandonar a minha gaveta das tralhas. Mas desafiante, desafiante é quando encontro um pequeno objecto não identificado que reviro nas mãos insistentemente enquanto revolvo as memórias e os cordelinhos do cérebro para me tentar lembrar onde o terei ido desencantar! Um pedaço do aspirador? Um cascilho partido? … Muitas vezes, de mistério não resolvido, acabo por devolver o pobre objecto ao local de ocupa junto de todas as outras coisas inúteis que perderam o rasto de onde vieram. Mas que poderão algum dia vir a ser úteis. Quem sabe?!

    Por outro lado, ao fim de umas horas partilhadas entre memórias, inutilidades e o pensamento recriminatório “Mulher, nada disso te faz falta”, consigo sentir um certo alívio ao ver que me consegui desfazer de um saco de pequenos lixos. É como se perdesse um pouco da confusão mental que me perturba e, por momentos, sentisse que ainda há esperança para a reles gaveta das tralhas inúteis.

    No outro dia – numa Segunda-feira, provavelmente – estava eu a trocar impressões quotidianas acerca das coisas que tinha reencontrado na gaveta (já longe de me lembrar das outras tantas de que me tinha livrado), quando, com um tom muito prático e despachado, me dizem o seguinte. “Para mim é simples. Se nos últimos 3 anos não precisei daquilo, então também não irei precisar nos próximos três”. Ao que o terceiro interlocutor clama: “Eu? Quando a gaveta deixa de fechar vou buscar um daqueles sacos pretos grandes do lixo, tiro a gaveta da cómoda e viro tudo lá para dentro.” Eu acho que não seria capaz de uma coisa dessas! Muito menos sem antes fazer uma primeira filtragem das inutilidades inúteis e das inutilidades apenas.

    De facto, as gavetas-purgatório das nossas casas podem revelar muito sobre nós. Não só sobre as nossas memórias, como os nossos interesses e a forma como lidamos com a perda, com o julgamento. “Tu vales; tu és inútil”. É sempre um reflexo da crueldade do nosso discernimento e da nossa capacidade de avaliar o útil. Principalmente quando animizamos os objectos. Já imaginaram a tampa da caneta Bic a gritar enquanto cai para o saco do lixo: “E se um dia perderes a tampa de outra caneta e precisares de mim para a tapar? Oh, nãaaaaaaaaaaaaaaaoooo!”.

    Pois… a forma como lidamos com as coisas das quais não nos sabemos desfazer diz muito sobre nós. Primeiro, porque se foram parar ao purgatório foi porque nunca as considerámos verdadeiramente inúteis. Depois, porque não há julgamentos correctos, há, quanto muito, razões, emoções e opiniões favoráveis ou desfavoráveis. E finalmente porque as coisas aparentemente inúteis cumprem uma função para nós. Ou porque algum dia nos foram importantes e marcaram uma memória, ou porque representam um medo, uma insegurança sobre a possibilidade de virmos a precisar delas um dia mais tarde e depois já não as termos.

    (Nas férias do Natal deliciei-me com esta visão da garagem do meu tio… Tirei apenas umas fotografias com o telemóvel, mas acho que de algum modo se adequam…)
     
    • Adília Oliveira 12:15 on 28/01/2010 Permalink | Responder

      Boa reprodução….Carla !!
      Tantas recordações, emoções e momentos de pura magia se encontram guardadas nessas tralhas 😉 É assim … um reviver de coisas adormecidas , mas tão reais !
      É sinal de que nos apegamos às coisas e à vida. Nada nos passa indiferente !!!
      Beijinhos

    • ZValente 23:56 on 07/02/2010 Permalink | Responder

      Toda a gente tem uma, sem dúvida. Coisas materiais que nos fazem falta! Não pelo facto de ter utilidade para o comum mortal, mas sim para a integridade mental. Mas com o tempo começamos a deixar de dar valor às coisas materiais. Damos sim, valor às recordações apega às coisas. São palavras a 3D+, onde podemos sentir a sua forma, cor, peso, ou mesmo cheiro, e claro o efeito secundário dos sentidos em comunicação com o cérebro. Resultam em reacções químicas, surgem sincronizadas descargas eléctricas, bem interpretadas pelo nosso cérebro. Da memória rimos, porque temos tendência para guardar o que de bom tem a nossa vida, mesmo que a desgraça nos tenha tocado. Risos e gargalhadas, da banda desenhada, do balão das conversas intimas que só nós podemos ouvir. Algo do género “Molas da rou…como eu estava”, “Como pode eu fechar-me no meu ser” ou “Como sou capaz de acreditar…” ou algo do género.

      Nunca fui bom no empinanço, sempre pautei por perceber como funcionavam as coisas, “ver os dois lados”. Raras são as vezes em que eu consiga reproduzir da mesma forma o que li ou ouvi. Mas recordo muito bem todas as imagens onde um sentimento intenso aparece, bom ou mau, meu ou de pessoa alheia. Como de um “Sketch” se tratasse. Até apetece agarrar no lápis e …, mas o tempo passa e a firmeza da mão já não é a mesma, falta de treino.
      Mas Inconscientemente, aprendi a nunca subestimar o passado, porque existem recordações que nunca se vão apagar… estão demasiado entranhadas no nosso coração e facilmente voltam a atravessar o nosso corpo até a alma e o olhar…

      Espero que o tempo seja oportuno porque amigo(a) não é aquela que seca as lágrimas, mas sim aquela que nunca as deixa cair, como de uma cascata se tratasse.
      Quando se sentirem sozinhos, sente-se num monte, olhem para a Lua ou o Sol e vejam que eles orbitam sozinhos e nem por isso deixam de dançar e brilhar.

      Mais tarde quando o tempo passar, perceberás que terás um cantinho no ciberespaço com as tuas tralhas úteis organizadas cronologicamente, que sem medo partilhaste com os “desconhecidos”…

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