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  • CarlaOliveira 13:33 on 09/09/2009 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, , Metáfora   

    Os umbigos 

    Todos temos um e todos fazemos dele o centro de gravidade da nossa existência. Eu e o meu umbigo, conjugado em todos os tempos e de forma invariável: Tu e o teu umbigo. Ele/Ela e o seu umbigo. Nós e o nosso umbigo. Vós e o vosso umbigo. Eles/Elas e o seu umbigo.

    Parece que apesar da variedade de tempos, modos, sujeitos e formas verbais, tudo se resume ao mesmo substantivo: o umbigo. E um falso substantivo porque não significa a sua substância física mas a sua significação intangível… Algo tão simbolicamente carnal. Tão fisicamente emotivo… É por isto que quando falo no umbigo não me refiro necessariamente ao buraquinho voltado para dentro que temos ao fundo da barriga e onde se acumulam rugas, borbotos ou piercings. Refiro-me ao umbiguismo, ao remoinho da exisitência ao nosso “Eu” que nos transporta para dentro de nós e nos confina egoístamente aos nossos interesses.

    No fundo, no último reduto de todos os argmentos e motivações, tudo gira em torno dos umbigos de cada um. Porque ser umbiguista como o Narciso nos faz fortes contra as adversidades e protege a deblidade que está além do buraco enrugado voltado para dentro. Projecta uma força que queremos demonstrar ao ocultar uma fragilidade que queremos esconder, e assim cumpre o seu objectivo de manutenção da espécie.

    Parece cruel. Parece naturalista ou mesmo animalesco, mas assim se cumpre a vida neste Mundo de Umbigos onde todos são Bons Samaritanos, sim, mas da sua própria vontade e pela aniquilação da vontade do umbigo alheio.

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    • Nuno 16:54 on 09/09/2009 Permalink | Responder

      É um mal geral, muita gente só olha por si e para si, sem se preocupar se magoa os outros. O umbiguismo retira-nos clareza de espírito e sensibilidade para perceber a posição de outrem.

  • CarlaOliveira 0:25 on 11/08/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings, ,   

    Estamos aqui. 

    Quando entrei na sala o Luís chorava lágrimas de avalanche. Tinha na mão o resto de um lenço amarrotado incapaz de conter uma lágrima mais que fosse. Olhei-o. Ele soluçava e tive medo que não conseguisse voltar a inspirar à medida que eu me aproximava e a emoção lhe subia pela angústia do peito.

    Agarrou-se a mim com a pele húmida e o rosto molhado. Sentia o seu corpo a estremecer numa dor tão contagiante que até a mim me fraquejaram as pernas. Abracei-o com força. Com a força com que se abraça um desespero e esperei que a dor lhe fluísse pelas lágrimas abaixo. Senti as suas mãos suadas e rijas que se apertavam contra as minhas costas como quem não está a medir o momento. Esperei que acalmasse mas o abraço passou o tempo normal que dura um abraço. O Luís não conseguia falar e não insisti que ele o fizesse. Já esperava o que me ele ia dizer.

    “Ela morreu. Ela morreu! Não acredito que ela morreu…” dizia, enquanto baixava o tom e se deixava descair pelas pernas abaixo até se enrolar em posição de feto, no chão. Sentei-me com ele e apertei-o contra o meu peito enquanto tentava manter a postura de uma viga de ferro. Eu sabia que este dia ia chegar. E o Luís também. Mas não há nada a fazer, não há preparação possível para a morte. Vem e cumpre a sua missão.

    Desejei que ninguém entrasse pelo escritório naquele momento e dei graças por ter sido eu a primeira a chegar. Os clientes que esquecessem os telefonemas e os emails. Fui reprogramar as chamadas e a mensagem automática do Outlook. Pelo caminho trouxe um copo de água e peguei no casaco de qualquer maneira. Despejei as coisas dele para dentro da minha mala e arrastei-o dali para fora, comandando-o com o braço sobre os seus ombros.

    O dia não existiu durante o resto da semana. Tudo sucedeu em modo automático enquanto o Luís se ia despedindo aos poucos da tia que o havia criado naquela casa onde foram encontrá-la sem vida, naquela manhã. Agora, deitada sobre as suas costas dentro de um caixão aberto, Luís olhava-a para lá do tempo. Olhava-a persistentemente como se não houvesse mais ninguém naquela câmara, nem coroas, nem crisântemos, nem choro, lenços ou soluços. Tudo para além do rasto daquele olhar era uma névoa desbotada e incompreendida. Só Luís e a tia sabiam ler aquele momento com a cumplicidade de uma vida inteira a partilharem o mesmo caminho.

    Luís nasceu de uma gravidez tardia que acabou por levar a vida à sua mãe quando ele ainda era muito pequeno. O pai, revoltado com a perda, não foi capaz de aceitar Luís naquele momento e afastou-se. Era mecânico de navios e o desejo da fuga justificada pela circunstância da revolta fê-lo aceitar uma viagem a bordo por seis anos lá para os lados da Ásia Central. Sem mãe e com o pai longe, Luís acabou por ser criado pela irmã mais velha da mãe, sua tia, que por acaso do destino nunca tinha conseguido engravidar e tinha perdido o marido na guerra das colónias. Uma história complicada de vidas cruzadas que acabaram por se unir durante mais de 30 anos.

    Luís e a tia viveram e cresceram juntos. Ela era costureira e fazia rissóis para vender no café do senhor Alberto. Às vezes havia problemas pois nunca se sabia quantos homens se iam juntar em cada fim-de-semana no café para beber cerveja e comer a bucha. O stock acabava num instante. Luís, quando sabia que havia futebol ou que se aproximava uma final de damas no Sr. Alberto, avisava a tia para reforçar nas quantidades.

    Com o tempo, Luís acabou também por conhecer a casa da modista e as moradas das principais clientes da tia. Quando comprou a carrinha, era ele que fazia as entregas da tia e, no regresso, fazia as compras da casa pois a tia deixou de poder carregar peso nos braços. Com o tempo a relação foi crescendo. Luís já era um homem e 30 anos tinham passado enquanto os cabelos brancos da tia se multiplicavam e a sua coluna ia definhando.

    Assim passou uma vida, na amizade e na cumplicidade de uma relação destinada a fortalecer-se pela ausência de uma família tradicional. Aquela família eram dois, com laços tão apertados que a vida nunca seguiu de outra forma que não de um para o outro. A tia nunca procurou nem aceitou outro companheiro após o desgosto da carta dos serviços de informação do exército nacional.

    Luís acabou por entregar-se à tia com a alma e a devoção que se costuma partilhar com os pais e irmãos. Na ausência destes, a tia era a sua família e algo que fugisse a esse seu compromisso não havia nunca de resultar. Chegou a ter namoradas, mas sempre que se falava em irem viver juntos um problema qualquer acabava por aparecer repentinamente e Luís voltava sempre à casa e ao colo que o viram nascer.

    A tia envelheceu e havia já três meses que se queixava de dores nos ossos. Ouvia mal e tinha os olhos sempre em angústia por causa das cataratas que lhe tinham aparecido há uns anos e que a fizeram afastar-se da máquina de costura. Já estava velhinha e passava os dias no sofá, com uma mantinha sobre os joelhos partilhando a casa com o talk-show das manhãs na televisão. Três vezes por semana ia lá a casa uma empregada estrangeira que era massagista no seu país. Um amor de moça e adorava a pobre senhora. De vez em quando fazia-lhe um doce de leite, que era o mais fácil para engolir, e preparava-lhe uma cama com sacos de água quente para aliviar as dores nas costas. Com tal cuidado e ternura, Luís podia ficar descansado e passava os dias no escritório tranquilo entre telefonemas, emails e outras preocupações normais.

    Mas naquele dia, ainda antes de começar o expediente, houve um telefone que tocou. Era cedo e Luís tinha chegado há poucos minutos. Gostava de ir cedo para ter tempo de tomar um cafezinho e ler as notícias do jornal antes do lufa-lufa começar. Ao telefone era empregada que tinha chegado a casa da tia para a sua visita habitual. A tia estava sentada no sofá, inanimada, no mesmo onde Luís a havia deixado há poucos minutos atrás, antes de ter corrido para o trabalho. Antes de sair foi à cozinha e pegou numa carcaça com a mão. No corredor agarrou as chaves e o casaco. Foi à sala, ligou a televisão e abeirou-se do sofá. “Porta-te bem, tia! E vê se não foges com nenhum apresentador mais giro do que eu, tá?”. Ajeitou-lhe a manta e ela olhou-o pelo canto do olho, riu-se e beijou-o de volta. “Até logo, filho”.

    Quando deixámos o cemitério voltei a encontrar o olhar de Luís. Estava perdido entre a dor e as lágrimas. Na sofreguidão do que sentia, procurou a minha mão e apertou-ma com força. Andámos assim durante horas, sem uma palavra, um som, um gemido. Já cansados, sentámo-nos na relva e fechámos os olhos. Desceu o sol. Caiu a noite. Peguei-lhe pela mão e levei-o para minha casa. Sentámo-nos no sofá e fui buscar uma manta. Os seus dedos reviveram, apertando os meus com mais força. Luís ajeitou a manta e ficámos ali a olhar a imagem da televisão, inconscientes. Deixámo-nos dormitar até que ao longe, distante, ouvi o som de uma frase sussurrada. “Obrigado por estares aqui”.

     

    Posfácio. Bem sei que este episódio tem um final insípido e pouco novelesco. Provavelmente perguntaram “então e depois?…” Mas quantas vezes a nossa vida não é, também ela, repleta de episódios normais e com finais insípidos onde não queremos mais nada senão alguém do nosso lado quando sentimos que o mundo desabou sobre os nossos ombros sem pesar a medida do que conseguimos aguentar? Sem dó nem piedade, quando a dor chega, uma simples palavra, uma silenciosa companhia ou uma simples presença podem fazer a diferença entre o desespero do momento e o alento de um futuro. Sei que é pouco, mas as minhas palavras têm um destino e um desígnio. Por muito pouco que possamos fazer, “estar aqui” pode fazer a diferença.

     
    • joaninha 23:16 on 13/08/2009 Permalink | Responder

      pois… essa historia deixou-me com lagrimas nos olhos… sabes pq? “porque eu n estiva lá”… n deves perceber bem o que eu estou a falar mas como minha amiga que és, apesar de nos vermos pouco, há praticamente 18 anos sei que me percebes, talvez elhor que ninguem… Um amigo nosso mandou-me msg poucos dias antes de partir para eu ir beber café com ele e eu n fui… na altura n podia e n imaginas como hoje me arrependo de n ter estado lá… ainda hoje me custa imenso… e tu desde os nossos tempos de escola que tens o dom de estar sempre lá… é por isso que apesar de n nos vermos continuas a ser a minha carla, a minha amiga das panquecas, dos panos em cima da lampada da casa de banho e de tantas aventuras… e quando penso na minha infência TU ESTAS SEMPRE LÁ… obrigada por existires na minha vida!!! bjs*******

    • asiram85 2:10 on 14/08/2009 Permalink | Responder

      Querida,

      Só para te lembrar que estou aqui, apesar de, desde que cheguei, andar um pouco ausente. Muitas emoções e turbilhões. Mas tu, mais do que ninguém, compreendes-me nesta fase. Gosto de estar aqui, num sentido em que só tu sabes que eu estou aqui, tal como sei que também tu estás aqui, na mesma forma e no mesmo mundo paralelo, em que o ESTAR é igual ao SER (e aqui nos apercebemos da beleza do Português…já que nenhum english speaker poderia dizer o mesmo :P).

      LovUUU miga linda…

      Marisa

    • Aga 14:26 on 17/08/2009 Permalink | Responder

      muito, muito muito bom.

  • CarlaOliveira 18:58 on 08/08/2009 Permalink | Responder
    Tags: Feelings,   

    A pomba e a gaivota 

    A pomba e a gaivota. Por terra e por mar, a voar. Eis como duas aves se tornaram musas de escritores e poetas como símbolos da dor, da distância, da vontade, do amor. Ou da falta dele. Aliás, ou da perda dele…

    Podia dissertar. Podia interpretar, mas assim como escritores e poetas se fizeram valer da pomba e da gaivota à solta no céu para exprimir a dor, também eu me faço valer do universo simbólico que estas significam para não as confinar a uma reles interpretação.

    As interpretações que vos proponho não confinam sentidos, mas estimulam-nos pela música. Duas versões incontornáveis que me despertaram pela fantástica coincidência de sentido. Uma, impossível passar ao lado: recém-editado álbum Amália Hoje, a versão da Gaivota de Amália pelos The Gift. A outra, impossível de esquecer: Em Hable com Ella de Almodôvar, a Paloma, na voz do inconfundível Caetano Veloso.

    “Nesse céu onde o olhar / é uma asa que não voa /esmorece e cai no mar”

    http://www.youtube.com/watch?v=BgQeJ6BqRLI

    “No llores / Las piedras jamás / Que van a saber / … / De amores”” 

     
    • Zorze 1:25 on 09/08/2009 Permalink | Responder

      Após ler mais umas letras tuas, eis que me lembro de um romance de Richard Bach publicado em 1970, onde uma gaivota, decide que voar não é apenas uma forma de se movimentar e desenvolve um fascínio pelas acrobacias. Com isso transforma o grupo de gaivotas do seu clã.
      Dividido em três parte, conta a história de um jovem frustrado com o materialismo e o significado da conformidade e da limitação da vida de gaivota, mas ele, de seu nome Fernão, esforça-se para atingir objetivos e vôos mais altos, muitas vezes bem sucedidos, mas eventualmente sem conseguir tanto quanto desejaria. De súbito é, encontrado por duas radiantes gaivotas que explicam-lhe que ele já aprendeu muito, e que agora elas estão lá para ensinar-lhe mais. Ele então passa a segui-las.
      Fernão passa a viver numa outra sociedade onde todas as gaivotas desfrutam da paixão pelo voo, onde ele só é capaz de praticar essa habilidade após duras horas de muito treino de vôo. Nesta outra sociedade, o respeito real surge em contradição com a força coercitiva que estava no antigo bando. O processo de aprendizagem, que liga os professores altamente experientes aos alunos dedicados, é aumentado a quase um nível sagrado, sugerindo que esta pode ser a verdadeira relação entre homem e Deus.
      Depois das últimas palavras da professora de Fernão: “continuar trabalhando para amar”, Fernão entende que o espírito não pode ser verdadeiramente livre sem a capacidade de perdoar, e o caminho do progresso passa pela capacidade de tornar-se um professor – e não somente pelo trabalho árduo como aluno.
      Então Fernão decide volta para o antigo bando para partilhar as suas ideias novas e descobertas recentes proporcionadas pela sua grande experiência. Pronto para a difícil luta contra as actuais normas da sociedade que o viu nascer.
      Uma história que fala sobre a liberdade, aprendizagem e amor de seu título Fernão Capelo Gaivota
      Ficou-me na mente que:
      A capacidade de perdoar parece ser uma obrigatoriedade para a condição de passagem.
      A ideia de que os mais fortes podem ir mais longe, deixando para trás os amigos mais fracos, parece totalmente rejeitada…
      Daí, o amor e o perdão merecem respeito e parece ser igualmente importante para o libertar da pressão de obedecer às regras apenas porque são comummente aceites.
      Zinhos e uma boa noite de trabalho

    • Nuno Massano 2:11 on 09/08/2009 Permalink | Responder

      Sempre pensei porque é que as aves são tão referenciadas por diversos autores. Talvez seja o óbvio, o desejo de liberdade. E seremos realmente livres? Não é esse o nosso desejo? As aves transmitem-nos uma mensagem de liberdade com que sonhamos, não termos horas para nada, partirmos à descoberta, conhecermos novos mundos, não nos confinarmos ao mesmo local.
      Mas não só escritores querem “voar”, também compositores. E quem melhor que os Pink Floyd e o magnífico “Learning To Fly”? E o David Gilmour, outro apaixonado por aviões? LOL Tinham de vir os aviões.
      Mas não é esse também o desejo dos pilotos, dar asas aos seus sonhos?
      Mas acima de tudo, “voar” é muito mais que abrir asas e partir à descoberta. Voar é também sonhar. E quem não sonha? Sonhamos como seríamos numa outra vida, sonhamos com alguém, sonhamos connosco. Sonhamos acordados. Constantemente.

  • CarlaOliveira 2:32 on 07/08/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings,   

    Alguma coisa a acontecer 

    (Bela):Ele foi bom e delicado,
    mas era mau e era tão mal educado
    Foi tão gentil e tão cortês
    Por que será que não notei nenhuma vez.

    (Fera):Eu reparei no seu olhar
    E nao tremeu quando chegou a me tocar
    Não pode ser, que insensatez
    Jamais alguém me olhou assim alguma vez.

    (Bela):Como ele está mudado
    Claro que ele está longe de ser, um príncipe encantado
    Mas algum encanto ele tem, eu posso ver.

    (Lumiere):Mas vejam só
    (Madame Samovate):Não posso crer
    (Ornoge):Nem eu também
    (Madame Samovate):Não pode ser
    (Lumiere):Como é que podem se entender assim tão bem?
    (Madame Samovate):Que coisa estranha!
    (Todos):O que será que pode haver?Estamos vendo alguma coisa acontecer!
    (Ornoge):É, acho que estamos vendo alguma coisa acontecer.
    (Zip):O que?
    (Madame Samovate):Estamos vendo alguma coisa acontecer.
    (Zip):E o que é mamãe?
    (Madame Samovate):Shhh, eu conto quando crescer.

    ——————-

    LOL, sei que este post vai desencadear respostas que me vão fazer rir. As memórias, as memórias… E não esperem uma explicação: “eu conto quando crescer”.

     
    • Zorze 1:07 on 09/08/2009 Permalink | Responder

      Vi e ouvi esta música pela primeira vez na companhia da minha afilhada…
      Adorei reviver o momento.
      Obrigada
      Já agora
      Será muito verdinho ou Será conversa inocente!!!
      Zinhos

    • Tânia caldeira 13:52 on 10/08/2009 Permalink | Responder

      Amiga já que estás numa de recordações então vê lá este : http://www.youtube.com/watch?v=XORUBZl2fBk

      Temos de combinar um dia destes na casa da nossa amiga Mónia e fazer uma daquelas nossos serões a reviver as nossas infãncias, eu e a nossa amiga fartamo-nos de rir! Looooooooooooool!
      Beijokas bem gds!

  • CarlaOliveira 2:14 on 07/08/2009 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, Fuga, , Livros   

    A terapia da fuga 

    A terapia da fuga”  está para mim como o “Tudo o que eu digo é mentira” está para o mundo. A interpretação é um paradoxo cujo sentido vai além do óbvio para encontrar a razão numa rua de sentido único onde caminhamos em contra-mão.

    É um pagadigma. Ou será mesmo um paradoxo?!

    Claro que após quase um mês sem vos falar, e depois te ter tentado simplificar as coisas da minha vida, o meu post de regresso tinha de ser sobre algo verdadeiramente complicado: a fuga.

    Surpreendidos?! Aposto que não. Até a Única neste fim-de-semana tomou a Fuga como tema e fez uma homenagem a essa tão grande verdade: “O homem pode fugir de tudo, menos de si próprio“.

    Credo, tantos clichês! Acho que o melhor mesmo é fugir daqui para fora e deixar-vos com “as frases estudadas do senhor doutor”. Eu vou para a Terra dos Sonhos.

    “A vida é difícil porque consiste numa  série de problemas e o processo de confrontar e resolver problemas é um processo doloroso. Os problemas, dependendo da sua natureza, evocam em nós muitos sentimentos desconfortáveis: frustração, dor, tristeza, solidão, culpa, arrependimento, cólera, medo, ansiedade, angústia ou desespero. Estes sentimentos são muitas vezes tão dolorosos como qualquer tipo de sofrimento físico. Na verdade é por causa da dor que os eventos ou os conflitos engendram em nós que lhes chamamos problemas. No entanto, é neste processo de confrontar e resolver problemas que a vida encontra o seu sentido. Os problemas fazem apelo à nossa coragem e à nossa sabedoria; na verdade, criam a nossa coragem e sabedoria. Os problemas são o fio da navalha  que marca a diferença entre o sucesso e o falhanço. É só devido aos problemas que crescemos mental e espiritualmente. A alternativa – não confrontar as exigências da vida (a FUGA!) – significará que acabaremos a perder, mais frequentemente do que o contrário. A maioria das pessoas tenta iludir os problemas em vez de encará-los de frente. Tentamos libertar-nos deles em vez de os enfrentarmos, ainda que com sofrimento. Na verdade, a tendência para evitar problemas e o sofrimento emocional que lhes está associado é a base fundamental de todas as enfermidades psicológicas. Muito embora o triunfo não esteja garantido de cada vez que enfrentamos um problema na vida, os mais sábios têm a noção de que só através da dor que implica confrontar e resolver problemas é que aprendemos e crescemos.” *** 

    PECK, 1997, Further along the road
     
    • Zorze 1:04 on 09/08/2009 Permalink | Responder

      Eh Eh…
      Estou a ver que existe um livro de apontamentos…
      Nem mais “Problemas e Dor” é logo a abertura de um grade livro…
      Transcrevo o seguinte:
      “Uma vida de dedicação total à verdade significa também uma vida disposta a aceitar o desafio pessoal. A única maneira de termos a certeza de que o nosso mapa da realidade é válido é expô-lo à crítica e ao desafio dos outros fabricantes de mapas. Caso contrário, vivemos num sistema fechado.”

      Informo que não o li todo o livro porque a dado momento…
      Fiquei no caso de Theodore (Ted) falava-se de uma musica de Neil Diamond compôs para o filme Fernando Capelo Gaivota
      Musica que procurei e aproveitei para ouvir um grande grupo o Pink Floyd.
      Deixo-vos com “Learning to Fly” de entre muitos outro sucessos por eles editados como “The Wall Another Brick in the wall”, “Hey You”, “Money”, “Time”

      Para quem não saiba o Pink Floyd é uma banda de rock inglesa do século XX famosa pelas suas composições de rock clássico harmónico, com um estilo progressivo e que davam verdadeiros espectáculos ao vivo. A origem do nome “Pink Floyd” deve-se à admiração do fundador Syd Barrett pela arte dos músicos Pink Anderson e Floyd Council, do blues.
      Quem não se recorda dos grandes êxitos como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975), Animals (1977), The Wall (1979) e The Final Cut, (1983)

  • CarlaOliveira 14:15 on 21/07/2009 Permalink | Responder
    Tags: Feelings   

    Simples. 

    Quantas vezes na vida retornamos às coisas… simples?!

    Hoje visto umas calças de ganga, uma blusa branca e o trago o cabelo solto.

    Da minha mala despejei as coisas complicadas. Restou a carteira, um pacote de lenços, as chaves e os telemóveis.

    Comi pão com manteiga e bebi leite ao pequeno almoço.

    No caminho perguntaram-me onde ficava a Beloura. Disse “na primeira rotunda, à direita”.

    Pus 20 Euros de gasolina. Sem descontos ou cartões.

    Depois bebi um café. Normal. Sem açúcar.

    Enviei emails a dizer “Ficheiro em anexo” e “Obrigada”.

    Almocei uma salada. De sobremesa, gelatina.

    Pressionaram-me e respondi. “Até ao final da semana”.

    Hoje não me apetece complicar.

    Ser simples não é ser básico. É dar espaço à evidência da razão.

    Por isso é que hoje, o que quer que me perguntem, não vou complicar:

    Sim. Ou não.

     
    • adília oliveira 16:50 on 21/07/2009 Permalink | Responder

      Que giro, Carla !
      Simples… mas espero que a salada do almoço tenha levado vários ingredientes simples 🙂

      Quanto ao último parágrafo… sim ou não… É evidente que «De um sim e de um não nasce toda a questão»…;)

      Um beijo (simplesmente) Adília

    • Mónia 21:52 on 22/07/2009 Permalink | Responder

      Sim, gosto de ti!!!

      Sim és um espetáculo de míuda!!!

      Não, não estou a dar graxa… lol

      Simples né…

      Bjocas linda

      • Carlita 23:35 on 22/07/2009 Permalink | Responder

        Grande resposta!!! E parece que até ouço a tua voz dizê-la…

        Adoro-te, baixinha =)
        Um beijo!

    • NSilva 20:51 on 30/07/2009 Permalink | Responder

      Knock Knock! Queremos um postzinho novo! Vá lá!!!!! 😛

      • Carlita 10:01 on 07/08/2009 Permalink | Responder

        Seja feita à vossa vontade… =) =) =)
        “É impossível resistir”-te também 😉

  • CarlaOliveira 11:06 on 15/07/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Feelings, ,   

    O Amor como animal de estimação 

    A Joana estava sempre a dizer que não percebia porque é que os peixinhos de aquário morriam sempre em sua casa. O primeiro, a quem havia chamado Charlie, até mereceu um funeral com florzinhas, tal foi o desgosto da pequena. De tal forma foi o impacto da inexistência repentina de uma vida que a Joana teve até de ser acompanhada para voltar a ter apetite e querer voltar a sair de casa para estar com as amiguinhas.

    O segundo peixinho da Joana demorou a chegar pois ela não queria a nenhum custo voltar a passar por uma situação daquelas que lhe tinha roubado o sorriso e ensinado o sabor do vazio. A este chamara-lhe Goldberg e desde o momento em que entrou lá em casa que a Joana prometeu que havia de tratá-lo como se fosse o primeiro, cuidá-lo bem, dar-lhe carinho e atenção, ser rigorosa nos horários e nos cuidados de limpeza… Tudo teria de ser perfeito pois não queria que houvesse mais lugar para o abandono.

    Efectivamente o Goldberg durou mais. Foi tal a preocupação que o bicho começou a reconhecer a dona, reagia aos movimentos, brincava e ficava mais agitado quando ela estava e sabia sempre as horas e os dias da comida e das limpezas.

    A Joana aprendeu com o Goldberg o sentido da responsabilidade e da cumplicidade. Dedicou-se, esmerou-se e criou laços. Os cuidados tornaram-se um ritual. Mas um ritual dos bons, voluntário, que não precisava de lembretes no telemóvel nem de mnemónicas para não esquecer.

    Houve um dia em que a Joana foi de férias com os pais. O drama! Quem é que iria ficar a tomar conta do pobre peixinho?! Será que se iriam lembrar de dar sempre a comida à mesma hora? E de brincar com o dedo no aquário para que o Goldberg viesse dar beijinhos? E a viagem até à casa onde ficaria o pobre coitado?… se a água se entornasse ou se ele ejoasse no caminho… Todas as preocupações assomaram a cabeça de Joana e durante todos os dias em que esteve fora com os pais não houve um em que não pensasse como estaria o seu companheiro. No regresso, foi uma alegria vê-la sorrir para o Goldberg como se fosse o bem mais precioso do Mundo.

    Mas veio um dia em que Goldberg deixou de estar no aquário. Joana tinha regressado a casa e, quando se abeirou do aquário, só restavam algas e pedrinhas. De novo o vazio. De novo o silêncio. Porque decerto o peixe não teria saído de livre vontade de malas aviadas para outra freguesia. O silêncio retumbava uma ausência definitiva e o aquário voltou para o sótão, de onde Joana voltou a desejar que ele nunca tivesse saído.

    Na verdade, o pequeno aquário não voltou a sair do sótão e um dia veio a tornar-se uma jarra de flores. A Vida retornou assim à pequena bola de vidro assim como também a vida de Joana seguiu em frente.

    Muitos outros Charlies e Goldbergs voltaram a passar na vida de Joana tomando a forma de periquitos, hamsters, porquinhos da índia, canários, tartarugas e coelhos anões. Com a idade aumentava o tamanho e a responsabilidade, mas mantinha sempre o mesmo cuidado, sempre a mesma preocupação, sempre o mesmo amor e dedicação pelos bichos. E sempre o mesmo ciclo de um dia deixarem as suas gaiolas vazias.

    Foi assim que a Joana cresceu. Hoje é adulta e lembra-se de cada um dos Charlies e Goldbergs da sua vida. Como eles, também os homens… Vinham um dia para fazer parte da sua vida. Dedicava-se a eles, entregava-se, cozinhava para eles para jantares glamorosos, limpava a casa para os receber de forma impecável, sempre que os deixava, ficava em cuidado pensando neles a cada momento, no seu bem estar e se estariam a precisar de alguma coisa. Brincava. Dava-lhes a mão e esperava que lhe beijassem a palma, com carinho, com a inocência de um jogo de criança. Criava rituais como o bom dia e o boa noite e também ela ficava mais agitada quando sabia ou sentia que eles vinham, deixando os olhos brilhar quando finalmente se reencontravam.

    No Amor, como no amor. Nos homens como nos bichos. A entrega, a dedicação, a responsabilidade, a preocupação, as bincadeiras, as ausências, os rituais… Mas, como nos bichos, havia sempre um dia em que o aquário ficava vazio. E havia sempre o luto, a ausência, o vazio, a dor…

    O tempo…

    No Amor como no amor. Nos homens como nos bichos. Sempre um novo homem acabava por vir ocupar o seu coração. A grande lição da Joana é que não vale a pena pensar por que razão o Charlie deixou de existir. O facto é que ele deixou de lá estar e pronto. Acabou. Sem questões. Sem rancores. Sem mágoa. O lugar ficou disponível para o novo Charlie. Ainda hoje a Joana acredita que às vezes mais vale nem sequer pensar nas razões do desaparecimento ou da inexistência, mas aceitá-las como um desígnio da vida ou um fruto da irracionalidade dos animais.

    Um novo Charlie ou Goldberg há-de sempre aparecer e a Joana vai continuar vai continuar a dedicar-se, a entregar-se e a cuidar deles como o primeiro porque quando não há remorsos nem mágoas, o seu aquário fica sempre disponível para receber um novo peixinho. E Amá-lo sempre como se fosse o primeiro.

     
    • Nuno 11:46 on 15/07/2009 Permalink | Responder

      Interessa amar o presente e não o passado. O que foi já lá vai e há que viver o presente. Será que a Joana se preocupou mais com o bem estar material dos bichos ao invés de se entregar a eles? Bela história.

      • Carlita 14:32 on 15/07/2009 Permalink | Responder

        “Um novo Charlie ou Goldberg há-de sempre aparecer e a Joana vai continuar vai continuar a dedicar-se, a entregar-se e a cuidar deles como o primeiro porque quando não há remorsos nem mágoas, o seu aquário fica sempre disponível para receber um novo peixinho. E Amá-lo sempre como se fosse o primeiro.”

        • Nuno 16:45 on 15/07/2009 Permalink

          A haver remorsos e mágoas, não deverão ser o novo Charlie ou Goldberg a pagar. Cada peixinho é um peixinho, diferente do anterior, cada um amado e a amar de maneira diferente.

    • Zorze 9:35 on 17/07/2009 Permalink | Responder

      Pois saber como as coisas ocorreram é o princípio da aprendizagem. O livro das lições aprendidas é mais importante que um mero livro de doutrina. Quero eu dizer que na teoria por mais intelecto que é o criador, nunca consegue antever todas as variáveis, (diz para fazer de uma certa forma de acordo com as formulas matemáticas, lei ou pela máxima do eticamente correcto), mas com o treino, por vezes percebemos que existem falhas e temos de aplicar umas manhas para que o acidente não suceda. Muitas vezes é inato e tudo corre, mas para outro é da “experiencia” de terceiros que dita as reacção. Julgo que um QB dos dois é o ideal
      Por vezes, tendo como exemplo o da Joana, aprendeu lições muito importantes para a vida, neste caso a “responsabilidade”e os demais referidos por ti, Mas por outra aprendeu o sentido da vida, que tudo tem um inicio e que durante a nossa vivencia tudo poderá ter um fim abrupto… natuaral!!!
      Zinhos os últimos parágrafos e comentario estão profundos. Adorei

  • CarlaOliveira 10:59 on 01/07/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Férias, Feelings,   

    Um capítulo por aí 

    Sei que vos devo um post. E mesmo que não soubesse, muitas pessoas se têm encarregado de me perguntar pelo feedback das minhas férias. Pois bem, amigos, é chegada a hora de revelar.

    Na “tal” semana em que a coincidência galáctica nos brindou com três feriados duma enfiada, eis que resolvi aproveitar para ir de férias. E como não havia tempo a perder, fui embora logo no Sábado, seis. Dia em que, se muitos se lembram, fazia anos. Não esperei pelo bolo, não esperei sequer pela hora em que “fiz” efectivamente anos. Fiz a mala, carreguei no “Pause” da vida e fiz-me à estrada. Aliás, fiz-me aos céus!

    Parti. E num golpe de egoísmo desmesurado desejei que continuasse assim: eu, sozinha, comigo… como se sozinha o tempo parasse e a vida ficasse verdadeiramente em Stand by sem culpas nem ressentimentos.

    Não levei o computador e durante todo o tempo consegui ir uma só vez à Internet. Findo pouco tempo as baterias das máquinas acabaram-se e as dos telemóveis idem idem aspas aspas como que num gesto solidário.

    Escrevi-vos no meu caderno mas ainda não tive oportunidade de digitalizar para pôr aqui. Ficará para uma próxima… Por agora, queria apenas dizer-vos que foi bom, fantástico, genial… e íntimo. Demasiado íntimo e introspectivo para que eu deseje publicá-lo à desgarrada. Demasiado pessoal e reflexivo para que não me custe falar disso.

    As coisas especiais são-no porque respeitamos a sua aura, como dizia o Water Benjamin que tantos anos me atormentou na faculdade… Mas a verdade é que ele tinha razão. A “reprodutibilidade técnica” pode dotar até as coisas mais valiosas à indiferença. E as coisas valiosas são para guardar em copas, como no exército do país das Maravilhas.

    Mas como a Alice, também eu encontrei o meu coelho branco e lá tive de regressar para o mundo onde, como ele, andamos sempre atrasados. E é por isso que é tão bom parar de vez em quando. Não só para viver as “Maravilhas”, mas também pelo prazer de nos voltarmos a encontrar. 

     
    • Zorze 23:06 on 05/07/2009 Permalink | Responder

      Realmente no teu jantar tive conhecimento de umas férias, que por curiosidade sobe não sei muito bem como… Tudo naquele dia foi estranho, estar uma semana fora, chegar cansado, receber um telefonema e ir jantar a Cascais… Mas valeu realmente.
      Não sei se é possível parar o tempo, mas se o fosse, seriamos esmagados numa massa… O tempo é a existência da vida. É o inimigo e aliado da consciência. Na vida temos nas mãos a responsabilidade dos rumos “decisões” tomados. (Como gosto da musica “Vai o homem do Leme… dos Xutos).
      Sem saberes!!! tomaste a melhor decisão da tua vida dar atenção a ti mesmo, algo que eu ignorei em mim, sofrendo graves consequências do esforço despendido…
      Mais engraçado, enquanto as baterias da tecnologia foram ficando nas lonas, a tua memória foi carregada sem te aperceberes. Deste origem a mais umas páginas do álbum da tua mente e um filme foi realizado.
      PS: “reprodutibilidade técnica”, fui apanhado descalço, vou averiguar. Espero que consiga estar a altura de uma boa resposta!!! (muito tecnico)

  • CarlaOliveira 13:19 on 25/06/2009 Permalink | Responder
    Tags: Feelings, Jogos   

    Vai-vem 

    Lembro-me de quando tinha menos de 1,50 de altura e a minha idade ainda se escrevia com um dígito e brincava ao Vai-Vem no pátio da minha avó com o meu irmão. Era um brinquedo constituído por duas cordas unidas com um punho em cada extremidade. Uma para cada mão. Ao meio, a unir as cordas, havia um género de bola de rugby que deslizava de um lado para o outro em direcção ao nosso adversário.

    Quando abríamos os braços as cordas separavam-se e lá ia a bola a deslizar para o outro lado. O meu irmão tinha de fechar os braços e deixá-la chegar até voltar a abrir os braços e fazer a bola vir a deslizar de novo para o meu lado. Com quanto mais força e rapidez abríssemos os braços, mais velocidade a bola ganhava e mais magoava a pessoa do outro lado. Se fôssemos demasiado lentos, a bola perdia velocidade e parava. Aí perdíamos. O truque era estar muito atento e coordenar bem o abrir e fechar dos braços para que a bola não parasse e não nos magoasse.

    E era assim o brinquedo. Uma sucessão de gestos ritmados para fazer a bola andar para a frente sem perdermos nem nos deixarmos magoar.

    Assim é a vida. Uma sucessão de gestos ritmados para fazer a bola andar para a frente sem perdermos nem nos deixarmos magoar.

    Vai e vem.

    Vem e vai.

     Como no vai-vem, também na vida as coisas vão e vêm. Também como no jogo, o truque é estar muito atento, coordenar muito bem o abrir e fechar do peito para que a vida não pare e nós não nos deixemos magoar.

     
    • Zorze 23:01 on 05/07/2009 Permalink | Responder

      Realmente a vida e composta por muitas notas soltas, com diversos ritmos, timbres, que lá vem e lá vai e vice-versa. Uns mais acima outros mais a baixos da nota fundamental, umas curtas outras longas, umas mais intensas outras menos. Tudas elas parecem acidentes mas quando nos apercebemos nasce um acorde suave ao ouvido e que nos atira para os sentimentos. Choramos, gritamos, sorrimos. Sentimos que estamos vivos.

      • Carlita 14:04 on 15/07/2009 Permalink | Responder

        Quando libertamos a verve e nos deixamos levar a vida toma novas proporções ao nosso olhar. Ora a tomamos como uma brincadeira de infância ora como uma pauta musical. A vida é uma metáfora construída a cada momento e sempre “tomando sempre novas qualidades”, como dizia o poeta da mudança…

  • CarlaOliveira 11:53 on 29/05/2009 Permalink | Responder
    Tags: , Facebook, Feelings, , Mensagens, Nicola, Twitter   

    E se um dia eu fosse um pacotinho Nicola? 

    Hoje tirei uns momentos do meu dia porque tive uma vontade irrepreensível de extrapolar sobre coisas parvas. Estava aqui levada nos meus pensamentos quando pensei em twittar. Como sabem, cada tweet tem de cumprir a meta dos 140 caracteres, o que nos obriga muitas vezes a pensar curto ou a pensar sobre metáforas ou sentidos implícitos. Muitos de vós saberão ao que me refiro… Queremos meter o Rossio na Betesga e dizer muito em escassas palavras.

    Foi então que percebi que o que eu queria dizer hoje se adequava perfeitamente ao tipo de mensagens que os pacotinhos de açúcar da Nicola costumam ter. Tenho de admitir que sou fã número 1 do conceito! Não sou coleccionadora, mas guardo comigo uns pacotinhos que me foram oferecendo ao longo dos cafézinhos que fui tomando ao longo da vida com as mais variadas companhias. Sou daquelas que gostam de acreditar que há mensagens subreptícias que o Universo nos quer passar a cada momento. Acho que pensando assim, acabamos por dar sentido a pequenos gestos e desejos que, só por acreditarmos neles, fazemos acontecer. E acreditem, comigo resulta! Muitas das minhas pequenas conquistas derivam das pequenas coisas em que sempre acreditei e que, de repente, fiz tornarem-se reais.

    Quem não se lembra das frases: “Um dia saio para a rua a gritar bem alto que sou feliz”, “Um dia encho-te o quarto de flores”, “Um dia ponho a mochila às costas e vou correr o mundo”, Um dia isto, um dia aquilo, e termina sempre em beleza: “Hoje é o dia!” São mensagens inspiradoras e motivacionais que eu acho que funcionam muito melhor do que as do tabaco, por exemplo. Não seria muito mais eficaz encontrar escrito nos maços: “Um dia deixo de fumar”?! LOL.

    O desafio não é meu, é da Nicola e joga perfeitamente como formato “twittado” e facebookiano” dos 140 caracteres com mensagens curtas e substanciais. Até seria interessante que a Nicola desenvolvesse uma campanha no Twitter mobilizando as pessoas a darem a sua versão de “Um dia”…

    Quanto a mim, UM DIA começo a realizar todos os desejos que me foram oferecendo, fazendo do “Hoje” os “uns dias” que vou guardando religiosamente  na carteira e a marcar as páginas de livros… Para que todos os “Uns dias” em que digo acreditar sejam hoje, porque hoje sei que isso depende de nós. “Um dia faço de ti a pessoa mais feliz do mundo…” diz um desses pacotinhos. Pois bem, a minha versão hoje é: “Um dia faço de MIM a pessoa mais feliz do mundo”.

     

    DSC00456

     
    • Joao 12:27 on 29/05/2009 Permalink | Responder

      Hoje, amanhã e todos os dias seguintes serão esse dia.
      Afinal, o que somos nós sem felicidade?

    • Sofia Reis 12:30 on 29/05/2009 Permalink | Responder

      “Deves fazer de ti a pessoa mais feliz do mundo… todos os dias” – gostei de saber de ti, pus o teu link no meu blogue para “te seguir”. bjinhos
      belo post 😉

    • NSilva 12:34 on 29/05/2009 Permalink | Responder

      É capaz de ser p ISTO que HOJE és ainda + um bocadinho uma tipinha aguçada e lutadora que eu admiro!

      E, sim, tb t admiro pq consegues fazer uma provocação de NBusiness à Nicola no meio d um post absolutamnt pessoal e… transmissível. Afinal, um workhaolic (saudável) não separa as coisas!

      És o máximo 🙂 E vou cobrar a promessa que fizeste!!!!!

      • Carlita 14:35 on 15/07/2009 Permalink | Responder

        Alguma vez te disse o quanto te adoro, gaija?!

        (ah, e adoro quando partilhamos private jokes nas nossas reticências e entrelinhas… A cumplicidade não se compra, mesmo! Obrigada por estares desse lado!)

    • adília oliveira 12:35 on 29/05/2009 Permalink | Responder

      Gostei 🙂

      Afinal, é simples !!!

      Beijinho e que esse dia seja a partir de hoje….e dias seguintes.

      ***

    • asiram85 16:47 on 29/05/2009 Permalink | Responder

      Para ti, minha querida, a melhor das mensagens Nicola (isto dito por mim, que tinha uns 40 pacotes de açúcar, todos diferentes, no anterior emprego, afixados na parede):

      Um dia deixo de dizer um dia… hoje é o dia!

      Marisa

    • Telma 19:31 on 05/06/2009 Permalink | Responder

      Um dia vou e já não volto.

    • Zorze 10:51 on 10/06/2009 Permalink | Responder

      Eu diria… UM DIA… nos tempos dos nossos pais chamavam-lhes telegramas onde o tostão final era pago pelo valor base mais o numero de letras a mais. Éra giro escrever tais desafios ortograficos com o menor número de letras e saber que do outro lado nos entendiam. Mas mais desafiador e profissional era saber que havia dois senhores que de cabeça, com bons reflexos, bom ouvido, utilizavam uma chave morse e transmitiam as mensagens enquanto mexemos o café para dissolver o açúcar do pacote. Eram mensagens, belas ou duras dependendo da situação.
      Os momentos mudam e agora uma placa de “duraglite” com pistas em cobre e com umas miniaturas soldadas fazem num tic-tac do ponteiro dos segundos (do relógio), o trabalho de dois homens (ainda bem) e fazem as delícias dos jovens que stressados enviam as mensagem sem parar, sem dar o real valor ao tempo. Viva os pacotinhos… Estamos no tempo das rapidinhas… é só rir e chorar por mais. Fico por aqui, não faço mais comentários.
      Não sejam egoístas e partilhem a vossa ideia e subretudo a felicidade.

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