Querido blogue,

Não tenho tido nem tempo nem concentração para me dedicar a ti como mereces e como tanto gostaria. Essa coisa a que eu chamo o tirano do momento – o tempo – insiste em trair-nos a cada instante e nunca há tempo para nada. Somos constantemente inundados de novos desafios e oportunidades que rapidamente se equacionam como heresias se lhes renunciarmos… Ora porque os íconezinhos do Facebook insistem em estar sempre vermelhinhos, ora porque o bip do e-mail está sempre a apitar, ora porque temos 6 eventos nesta semana a que ainda não respondemos nem sabemos como responder, ora porque é imperativo aprender uma nova língua (porque estamos imersos num mundo global mas há quem ainda não o tenha percebido e nos faz ter de aprender a falar como eles…), ora porque temos um projecto a decorrer que exige a nossa atenção, ora porque a nossa amiga vai casar e a outra vai ter um filho, e a outra tem uma doença, e a família sente a nossa falta e a faculdade nos recruta e o país nos solicita… Enfim, sabem que esta temática do tempo sempre me fascinou e podia dissertar sobre dromologia durante horas e horas e horas. Aliás, é algo que tenho na lista de TO DOs (na categoria dos “mesmo para fazer”) 😉
É uma crueldade ter-te aqui assim, abandonado, olhar para ti todos os dias, pensar em tudo aquilo que podia fazer de ti e fazer contigo… ainda para mais és o meu rosto, o sítio onde muitas pessoas que gostam de mim vêm com frequência e nem a elas, nem a ti, nem por mim tenho sabido dedicar a atenção que sinto que todos merecemos (a economia da atenção é outro tema sobre o qual hei-de dissertar… um dia!).
No fundo acho que acabei por (e por favor não te sintas injustiçado ou traído) te menosprezar pelas outras prioridades que me arrebataram, como o Facebook!
Quando me apercebi, cheguei a mudar-te o layout e os temas vezes sem conta, mas a verdade é que por muito que tente fazer imergir uma coisa na outra, convergindo os perfis, interesses e redes sociais para um mesmo espaço, para mim eles têm e hão-de ter sempre identidades diferentes. Aqui gosto de me expressar de forma mais ponderada e profunda, no Linkedin de forma profissional e estratégica, no Twitter para partilha de notícias e de ideias que não quero que muitas pessoas saibam (bah, não vale ir lá agora espreitar porque é suposto serem provocações que passem mais para o.. despercebidas) e o Facebook tenho-o para todos os momentos – aqueles mais imediatos e os assuntos mais actuais que compõem a nossa vida a cada momento, e é também uma das principais e mais desafiantes ferramentas de trabalho. Aqui no capítulo o conteúdo tem de ser mais íntimo e intemporal, profundo e dedicado… mas, pensa lá, em tempos onde todos os momentos e todos os minutos se tornaram imediatos e a vida se resume a uma série de assuntos “actuais” que se atropelam, a temas absolutamente inadiáveis que se digladiam entre si aos milhares pela relevância zaragateando entre estímulos que vamos recebendo e reivindicando o maior destaque, torna-se complicado (mas não impossível) gerir a minha dedicação a ti (dedicação = disponibilidade mental, temporal, criativa, técnica e tudo o mais).
No entanto, não quis deixar de vir aqui expor publicamente este meu sentir… Não seria justo para contigo, para com quem me segue nem sequer para comigo própria.
Aqui há tempos disseram-me: se tu não consegues gerir uma coisa tão simples e que controlas completamente como as idas ao ginásio (sim, é a cruel realidade, mas é algo que depende quase exclusivamente de nós e nem isso sabemos e conseguimos gerir em fórmulas matemáticas de 1 hora por dia, pelo menos 3 vezes por semana), então como é que te hás-de propor conseguir alcançar objectivos maiores para o teu futuro?!
Foi cruel para mim também ouvir quando mo disseram, mas tocou-me de tal forma que mantenho a ideia tão presente como uma pedra no sapato para me ajudar a lembrar a cada passo que tenho de saber gerir aquilo que posso controlar e ir dando os meu pequenos passos e alcançando os pequenos sucessos da minha vida… Caso contrário não irei mais longe que isto.
Eu estou aqui, mesmo não verbalizando ou tornando visível a minha presença, a minha vida continua aqui e partilhada. E no Facebook, e no Twitter, e no telemóvel e no e-mail e no pensamento e no coração… Estou sempre por perto, acreditem. E tenho opiniões, muuuuitas! Só não tenho é (ainda) a lição estudada para arranjar e construir disponibilidade para as exprimir adequadamente. Mas vamos dando um passo de cada vez, ok?
Felizes os que conseguiram ler-me até ao fim! 🙂 Obrigada.

Beijinhos,
Carla

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