Pedaços do meu Portugal…

Tenho umas centenas de fotos para editar e no meio de umas quantas que ando a seleccionar para um álbum a que penso chamar “Pedaços do meu Portugal” encontrei esta que me inspirou para o momento de vivemos hoje… Um momento em que me apetece retornar às origens porque, como dizia Jorge Palma (Rio Grande), “Se perderes a direcção da Lua olha a sombra que tu tens colada aos pés”…

É o reflexo de um povo que inova mantendo-se fiel às suas raízes. Que se reinventa sem se descaracterizar. Que vive emproado mesmo sob as suas próprias fraquezas. Que se envaidece mas não se sabe valorizar. De matéria delicada, mas resistente. Impermeável… De vestes coloridas mas soturno na alma. Emproado na pose, mesmo quando está coxo. Reveste-se de símbolos que não sabe muito bem o que significam: Amor? Paz? Tradição? Simplicidade? Natureza? Terra? Sangue? Futuro? Altivo no seu pedestal, mas empoleirado no suporte alheio. Embandeirado para se legitimar. Figura de proa. Ponto de referência. Representação da permanente expectativa do amanhecer, do dia, o anúncio da alvorada… A expectativa, a expectativa…

Mas não deixa de ser galo. Auto-proclamada divindade da capoeira num mundo de galinhas resignadas. E pintos medrosos. E bebedouros comuns, pisando carpetes de feno e lutando pelo milho em renúncia da ração – que é para os pobres sem categoria. A arraia-miúda de outras espécies.

Galo que se digne tem de ser “do Campo”. Não é alimentado a ração que lhe enche o bandulho e que lhe traça o desígnio final. Cada trago, cada gole, um passo na entrega à vontade dos soberanos.

Pobre galo, armado aos cucos, qual Galo da Índia, não chega nem ao poleiro, nem consegue acordar este mundo adormecido nem fazer-se ouvir na sua própria capoeira…. Ou no seu próprio “Campo de origem Demarcada”… Diz que vozes de burro não chegam ao céu, mas será que as vozes de Galo alguma vez chegarão a algum lado?!

Cheguem, não cheguem, a verdade é que ele lá continuará empoleirado nas torres das igrejas e nos telhados elevados, indicando o caminho a favor dos ventos e da ambição. Ergue o peito, Galo! Já que tens a fama, faz um bom proveito do teu poleiro porque quer queiramos, quer não, és tu quem lá está nos postais desse mundo como cartão de visita de um país que se quer digno na sua condição…

E agora que já me deixei de metáforas, deixo-vos uma outra visão do mesmo Portugal. Bastante melhor, mas só por ser em HD! 😉

http://www.visitportugal.com

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