Perdoem-me todos os meus (felizmente mui…

Perdoem-me todos os meus (felizmente muitos) queridos amigos jornalistas que admiro, respeito, mesmo aqueles com quem só tenho uma relação de admiração ou meramente profissional, mas hoje estou um pouco Wildiana, ao pensar:

“There is much to be said in favor of modern journalism. By giving us the opinions of the uneducated, it keeps us in touch with the ignorance of the community. By carefully chronicling the current events of contemporary life, it shows us of what very little importance such events really are. By invariably discussing the unnecessary, it makes us understand what things are requisite for culture, and what are not.”

Oscar Wilde

(Para ler mais…)

E isto vem a propósito de trabalhos / opiniões como “A Geração Nem-Nem” da Visão (Edição 932, 13/01/2011) que não hesito em apelidar de desprezível. É um tema certamente controverso, como se pode ler nos vários comentários do Facebook ao artigo. Eu li-o e senti simultânea vergonha e revolta porque são estes os influenciadores e os agenda-setters do nosso país… E é com base “nisto” que muitas pessoas vão basear a sua opinião na próxima conversa de café porque se sentem naturalmente revoltados e agora já têm as costas quentes para se poderem expressar e apoiar. E até já têm um rótulo: “Os nem-nem”.

É lamentável a falta de Visão holística e a gritante incapacidade de compreensão de fenómenos, nomeadamente dos próprios “especialistas” (escolhidos a dedo, aposto, para que dissessem o que se queria que fosse dito).

E assim se talham opiniões. E assim se alimenta o criticismo e a desresponsabilização fácil (dos maiores responsáveis, diga-se!). Alimenta-se o pessimismo e a revolta. Aponta-se o dedo aos “fracassos” como se tivessem surgido do nada, gera-se ainda mais  pressão e descrença nesta geração que já não tem (nem lhe permitem que tenha) nem esperança nem auto-estima, nem vontade, nem motivação… quase nem saída…

Envergonha-me esta “Visão”. E irrita-me porque agora vamos andar os próximos tempos a ter de gramar com o novo jargão “Geração Nem-Nem” nas bocas da gente. Um rótulo que irá fazer sucesso porque é tão fácil ter uma bengala para nos apoiarmos e desresponsabilizarmos, criticando…

Não sei se fale nem sei se cale. Acho que vou perguntar à jornalista, pode ser que ela me consiga ajudar…

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