Sei que ainda aí estão…

Todos os meus últimos textos não têm sido publicados. Mas eu não parei, eu não morri… apenas hibernei guardando cautelosamente todos os meus recursos para mim. Continuo a escrever e a inundar-me de metáforas, imagens e sentidos que me ajudam a sentir o que vivo e a viver o que sinto. Escrever é tão importante para mim quanto o sol no meu dia. Preciso da fotossíntese para a minha saúde física e emocional tanto quanto preciso do verbo para conviver com a minha teia interior de complexidades. Sim, essa que nem eu consigo entender…

Nos últimos tempos tem-me sido particularmente difícil assumir-me. Assumir ideias, defender teorias, fazer valer a minha opinião e expressar os meus sentimentos. Ou por cobardia. Ou por não me ter expressado devidamente. Ou por não me ter sido dada a oportunidade de ser entendida. Ou por ter escolhido momentos inoportunos para o fazer. Ou por complexo de descredibilidade pessoal. Ou por impulsidade na acção, fruto da minha actual impaciência… Há fases assim.

No entanto, não podia adiar mais. Em 30 dias que passaram não houve um momento em que conseguisse verbalizar, publicar ou assumir explicitamente  o que senti com a perda do Pedro e da Sónia. Não deu tempo para assimilar, para compreender, para acreditar, para aceitar. Mas hoje a minha intuição foi que tinha de arriscar e ser corajosa porque foi exactamente esse o legado que ambos me – e nos – deixaram.

Não quero, não tenho e não preciso de me justificar. Isso seria algo controverso que nunca reuniu, reuniria nem reunirá consensos no Mundo – que seria entrar no campo do espiritualismo, misticismo, crenças, filosofias, religião.

Independentemente de tudo isso quero só dizer que aceitei o que sucedeu e que a inconsistência da matéria não torna a imanência inexistente. Apenas a virtualiza e desmaterializa para um plano transcendente que nem todos são capazes de aceitar e compreender.

Sei que ainda aí estão e, acreditem, em 30 dias a vossa presença esteve mais presente imaterialmente do que em qualquer momento anterior para todos nós que tivemos a felicidade nos termos cruzado convosco.

E era só isto que queria dizer. Não se trata de uma história, de um mural de homenagens nem de um texto com um princípio, meio e fim. Talvez seja essa mesmo a conclusão: não há um fim. Nunca há um fim. Há mudança. Há transformação. Há transcendência.

É lá que nos encontramos e é por isso, por acreditar, que sei que ainda aí estão.

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