Esquisitice aguda

Esquisitice aguda: eis uma patologia que todos nós temos e que ninguém conseguiu ainda compreender. Trata-se de um fenómeno de desequilíbrio nervoso provocado pelo contacto com determinado objecto ou substância. Normalmente acontece em momentos inesperados que deixam o afectado com arrepios e os pêlos em franja enquanto os assistentes esboçam um olhar perplexo de simultânea incompreensão e gozo. De facto, esta patologia parece não constar ainda portfólio de doenças reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde, mas se constasse seria concerteza na secção de doenças do oculto ou do foro mental. Senão, vejamos…

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Conheço uma pessoa que não suporta sequer pensar em umbigos. Os umbigos dão-lhe nojo e arrepios e, só de pensar em tocar num – o seu inclusive – perde as forças, fraqueja e fica com pele de galinha. Para essa pessoa, os umbigos são para andar tapados e quanto mais longe, melhor! Explicação?! Ainda não foi encontrada…

Tenho outra amiga que se contorce toda quando ouve o barulho de uma unha a raspar em alguma coisa, particularmente se for com uma lima devido ao ruído rugoso e seco que provoca. Crrrr, crrrr, crrrr, crrrr, para cá, para lá, para cá, para lá.. e no entretanto ela já está a milhas de distância com os pêlos eriçados a contorcer-se em arrepios. Explicação?! … pois… …

Mas o repertório continua. Agora vamos a mim, exemplo-mor da esquisitice aguda. Obviamente só de pensar já estou toda arrepiadinha, mas a verdade é que todas as substâncias que reúnam as características de áspero, seco e disperso me deixam completamente….. grrrrrrrr, sem forças. Algodão e esponja estão no topo da categoria, mas aquela substância que se usa para forro de casacos, pegas de cozinha e colchas também. Um dia pus a mão dentro de uma pega de cozinha que se tinha rompido no interior, pela costura, e as minhas unhas roçaram naquela fibra áspera do enchimento. Acho que deixei queimar o que estava no forno porque não consegui voltar à consciência a tempo de salvar o cozinhado…

Tenho outra amiga que tem uma pancada ainda mais esquisita. Quando está a comer sopa fica sempre na expectativa de encontrar um pedaço de batata que não tenha sido passado. Assim que o encontra começa a bolsar, a regurgitar e não consegue comer absolutamente mais nada… Já lhe perguntei se lhe acontecia o mesmo com sopa não passada, aquela que tem pedacinhos de cenoura e hortaliças, mas não, é só mesmo com batata! Vá-se lá entender estes fenómenos…

Entre os mais comuns, encontramos o girar de engenhos que fazem guinchos estridentes, como os bancos que se levantam por rosca ou o giz a raspar na ardósia. Eram sempre momentos de gritos quando na sala de aula o giz raspava ou alguém se lembrava de levantar o banco na sala de trabalhos manuais.

Tanto quanto sei, ainda não há cura para a esquisitice aguda. Médicos especialistas, bruxas e xamans derbuçam-se sobre esta patologia desde há séculos, mas ainda nenhum encontrou a cura para este tipo de devaneio mental que atormenta milhares e milhares de pessoas. E vocês, também têm alguma uma esquisitice aguda?!

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