Os umbigos

Todos temos um e todos fazemos dele o centro de gravidade da nossa existência. Eu e o meu umbigo, conjugado em todos os tempos e de forma invariável: Tu e o teu umbigo. Ele/Ela e o seu umbigo. Nós e o nosso umbigo. Vós e o vosso umbigo. Eles/Elas e o seu umbigo.

Parece que apesar da variedade de tempos, modos, sujeitos e formas verbais, tudo se resume ao mesmo substantivo: o umbigo. E um falso substantivo porque não significa a sua substância física mas a sua significação intangível… Algo tão simbolicamente carnal. Tão fisicamente emotivo… É por isto que quando falo no umbigo não me refiro necessariamente ao buraquinho voltado para dentro que temos ao fundo da barriga e onde se acumulam rugas, borbotos ou piercings. Refiro-me ao umbiguismo, ao remoinho da exisitência ao nosso “Eu” que nos transporta para dentro de nós e nos confina egoístamente aos nossos interesses.

No fundo, no último reduto de todos os argmentos e motivações, tudo gira em torno dos umbigos de cada um. Porque ser umbiguista como o Narciso nos faz fortes contra as adversidades e protege a deblidade que está além do buraco enrugado voltado para dentro. Projecta uma força que queremos demonstrar ao ocultar uma fragilidade que queremos esconder, e assim cumpre o seu objectivo de manutenção da espécie.

Parece cruel. Parece naturalista ou mesmo animalesco, mas assim se cumpre a vida neste Mundo de Umbigos onde todos são Bons Samaritanos, sim, mas da sua própria vontade e pela aniquilação da vontade do umbigo alheio.

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