A política do sistema pessoal

A tirania do relógio atropela a anarquia da vontade porque pensa que ao totalizar o tempo irá democratizar o gesto. Se a minha cabeça fosse um sistema político, pensaria algo semelhante a isto… Porque o tempo é tirano num país onde a vontade se rebela. O tempo entra como general acreditando que só com regra o gesto se cumpre. Impomos regras ao nosso gesto, às nossas acções, mas continuamos a ser os mandatários das vontades individuais.

A política do sistema pessoal é algo quase tão complexo quanto a do social. E, como os outros, também nós deixamos de “assumir as responsabilizadezinhas” e apontamos o dedo “ao que fizemos no [verão] passado”. Mas a verdade é que fomos nós que votámos esta lei, este sistema, mesmo que, como com o outro, o rumo tenha mudado. Mas não deixamos se ter votado. Da mesma forma que não deixamos de ser vítimas das nossas escolhas. Da mesma forma que não podemos controlar as vontades dos desígnios alheios, aos quais estamos sujeitos. Sem Iraque ou com Iraque, com Números ou com o Verbo, no final a vida não passa de pura demagogia com que enfeitamos um sistema político pessoal que tentamos gerir quase tão bem como o fazem no sistema social.

Por tudo isto é que o importante é continuarmos a ter “HOPE”. Acreditar na “CHANGE” e que “YES; WE CAN”. Ou como diz o outro da cara tapada: “Eu voto em mim”.

 

Agradecimentos a Paulo Portas, José Sócrates, Isaltino Morais e Barack Obama e desculpem lá qualquer coisinha. Sóry there any little t-ing.
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