A terapia da fuga

A terapia da fuga”  está para mim como o “Tudo o que eu digo é mentira” está para o mundo. A interpretação é um paradoxo cujo sentido vai além do óbvio para encontrar a razão numa rua de sentido único onde caminhamos em contra-mão.

É um pagadigma. Ou será mesmo um paradoxo?!

Claro que após quase um mês sem vos falar, e depois te ter tentado simplificar as coisas da minha vida, o meu post de regresso tinha de ser sobre algo verdadeiramente complicado: a fuga.

Surpreendidos?! Aposto que não. Até a Única neste fim-de-semana tomou a Fuga como tema e fez uma homenagem a essa tão grande verdade: “O homem pode fugir de tudo, menos de si próprio“.

Credo, tantos clichês! Acho que o melhor mesmo é fugir daqui para fora e deixar-vos com “as frases estudadas do senhor doutor”. Eu vou para a Terra dos Sonhos.

“A vida é difícil porque consiste numa  série de problemas e o processo de confrontar e resolver problemas é um processo doloroso. Os problemas, dependendo da sua natureza, evocam em nós muitos sentimentos desconfortáveis: frustração, dor, tristeza, solidão, culpa, arrependimento, cólera, medo, ansiedade, angústia ou desespero. Estes sentimentos são muitas vezes tão dolorosos como qualquer tipo de sofrimento físico. Na verdade é por causa da dor que os eventos ou os conflitos engendram em nós que lhes chamamos problemas. No entanto, é neste processo de confrontar e resolver problemas que a vida encontra o seu sentido. Os problemas fazem apelo à nossa coragem e à nossa sabedoria; na verdade, criam a nossa coragem e sabedoria. Os problemas são o fio da navalha  que marca a diferença entre o sucesso e o falhanço. É só devido aos problemas que crescemos mental e espiritualmente. A alternativa – não confrontar as exigências da vida (a FUGA!) – significará que acabaremos a perder, mais frequentemente do que o contrário. A maioria das pessoas tenta iludir os problemas em vez de encará-los de frente. Tentamos libertar-nos deles em vez de os enfrentarmos, ainda que com sofrimento. Na verdade, a tendência para evitar problemas e o sofrimento emocional que lhes está associado é a base fundamental de todas as enfermidades psicológicas. Muito embora o triunfo não esteja garantido de cada vez que enfrentamos um problema na vida, os mais sábios têm a noção de que só através da dor que implica confrontar e resolver problemas é que aprendemos e crescemos.” *** 

PECK, 1997, Further along the road
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