Vai-vem

Lembro-me de quando tinha menos de 1,50 de altura e a minha idade ainda se escrevia com um dígito e brincava ao Vai-Vem no pátio da minha avó com o meu irmão. Era um brinquedo constituído por duas cordas unidas com um punho em cada extremidade. Uma para cada mão. Ao meio, a unir as cordas, havia um género de bola de rugby que deslizava de um lado para o outro em direcção ao nosso adversário.

Quando abríamos os braços as cordas separavam-se e lá ia a bola a deslizar para o outro lado. O meu irmão tinha de fechar os braços e deixá-la chegar até voltar a abrir os braços e fazer a bola vir a deslizar de novo para o meu lado. Com quanto mais força e rapidez abríssemos os braços, mais velocidade a bola ganhava e mais magoava a pessoa do outro lado. Se fôssemos demasiado lentos, a bola perdia velocidade e parava. Aí perdíamos. O truque era estar muito atento e coordenar bem o abrir e fechar dos braços para que a bola não parasse e não nos magoasse.

E era assim o brinquedo. Uma sucessão de gestos ritmados para fazer a bola andar para a frente sem perdermos nem nos deixarmos magoar.

Assim é a vida. Uma sucessão de gestos ritmados para fazer a bola andar para a frente sem perdermos nem nos deixarmos magoar.

Vai e vem.

Vem e vai.

 Como no vai-vem, também na vida as coisas vão e vêm. Também como no jogo, o truque é estar muito atento, coordenar muito bem o abrir e fechar do peito para que a vida não pare e nós não nos deixemos magoar.

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