Memória e Saudade

Às vezes questiono-me se sentirei verdadeira Saudade ou se o que me faz sentir aquele vazio na alma não serão as Memórias de um passado bem amado. Sem resposta, dou comigo a deslindar sobre esta questão… Há quem diga que a Saudade é a vontade de reviver as memórias de uma experiência boa, seja ela passada ou futura. Eu compreendo a ideia, mas não consigo aceitar a Saudade como uma vontade, mas como um TODO estado de espírito. E, mais do que isso, acho que a saudade é um estado de alma, logo, não se “cura” nem “passa” quando revivemos essa memória ansiada.

Para mim, a Saudade é Saudade por si só. É um estado de melancolia interior que se pode projectar em memórias, imagens, mas essa projecção são meras tentativas do nosso cérebro a tentar dar razão ou “corpo” à existência do nosso estado de espírito ausente e incompleto. É… os nossos queridos neurónios estão sempre a desafiar o nosso entendimento das coisas com justificações e corporizações para aquilo que não sabe explicar nem compreender.

Sentir Saudade é bem mais do que querer voltar a ter algo que se teve ou se deseja ter. Sentir Saudade é mais do que recolher boas memórias ou projectar novos desejos. Sentir Saudade é um grito dos confins do nosso vazio interior. E não é mau… é apenas íntimo, introspectivo e o reflexo de uma ligação da nossa mente em paredes-meias com o nosso coração, pregando-lhe partidas com as memórias vividas e projectadas.

Para terminar, sentir Saudade é para mim bem mais do que ter saudades. A Saudade não tem plural… Já as saudades podem saciar-se e matar-se, mas ninguém consegue matar um inimigo desconhecido, que não se veja, nem tão-pouco podemos saciar uma vontade que não se sabe compreender nem explicar.

Peguei neste tema porque andei a organizar fotografias de Los Angeles e eis que encontrei uma imagem do antigo look deste blogue. Não me digam que já sentiam saudades?

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