Devo-me ao Mundo.

Não sei se sabem o que é este sentimento de nos devermos ao Mundo… Atenção a X, um telefonema a Y, uma carta a Z, um post a B, um sms a C, uma palavrinha, um café, um lanche, um jantar, uma resposta… Para onde quer que se virem sentem-se em dívida porque simplesmente não são ou não foram suficientes para todos. Aliás, para CADA UMA dessas incógnitas.

Devo-me ao Mundo e a culpa pesa-me tanto que enquanto não saldo a minha dívida só me apetece fechar a conta e emigrar para uma offshore. Onde quer que vá há juros, há dívidas, há desilusão, livros do rol, homens do fraque, cobradores… que nos matam, aos poucos, só por existirem.

A vida não pára. A vida não chega. E endivido-me dela por ambição desmesurada que tento cobrir com crédito sobre crédito. Vou estar com X, aumenta a prestação. Ligo a Y, acumulo crédito para W. Para apaziguar Z, carrego no plafond mensal…  E a divida vai crescendo. Aumenta a taxa e a prestação vai sendo maior a cada vencimento. E vou somando créditos que não se pagam, mas que crescem como uma núvem sobre nós. E vou vivendo na sombra que me encobre o rosto que deixei de querer mostrar.

Com a vida cinzenta, lá vamos caminhando, queixando-nos da má sorte com o Inverno dentro de nós. Regelamos na culpa e espezinhamos a alma nas poças do desgosto que fomos semeando pelo caminho…

Chove. Chove no molhado. Chove sem solução. A núvem não existe… Ela somos nós.

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