Uns dias depois…

Têm sido inúmeras o número de janelas que têm piscado no meu telemóvel, messenger, gtalk  e facebook para saberem, afinal, como eu estou depois desta aventura em L.A. A minha resposta é tão-somente uma: não sei!

Não me sinto mal e ainda não deprimi… A vida tem andado demasiado agitada e ocupada para poder ter tempo e espaço para pensar e sentir saudade, mas já é tempo de sentir falta de algumas coisas…

A primeira noite foi a estranheza total. Abri os olhos e de repente senti-me como se tivesse sido raptada aliens e tivesse acordado num ambiente estranho. Ao segundo pestanejar claro que vi que havia ali algo de familiar… Talvez o facto de aquele ser o meu quarto de há mais de 10 anos!!! LOL. O dia passou num ápice e quando voltei a pôr a mão na consciência, afinal era a caixa das mudanças e eu estava a guiar para o emprego… Já era “o dia seguinte” e eu não tinha uma caixa automática!

Podem ver que a dimensão de tempo ainda está um pouco conturbada visto que não consigo adormecer antes de raiar o sol, estou cansada durante o dia e desperto ao cair da noite.

Tanto que tenho sentido, tanto que tinha para dizer.. Acho que ainda tenho “um pé na galera e o outro no fundo do mar”, como dizia o Jorge Palma sobre o nosso Portugal. E entre o limbo do que tenho vivido, deixo só uma história (in)significante: Ao chegar ao aeroporto, onde exigi que tomássemos um expresso, o empregado abeirou-se de nós e perguntou se sabíamos o horário do estabelecimento. Respondi que não. Olhei para o relógio (23h45) e perguntei: “é à meia-noite?” E ele respondeu: “Sim!” E eu de caminho: “Ah, então a boa notícia é que ainda temos mais um bocadinho”. E ri-me.

Se estivesse na Califórnia, este meu comentário estava a habilitar-se a eu ter de gramar com o rapaz o resto da noite por me ter metido com ele a brincar e estar a demonstrar estar a gostar de estar ali. Em Portugal valeu-me um olhar indignado como se tivesse faltado ao respeito do moço. Não me senti bem-vinda naquele espaço, naquele momento. Mas se há conclusão que tiro desta viagem e desta aventura é que não é local, mas as pessoas que tornam as coisas importantes para nós. 

Parece que ainda oiço a voz da Mafalda no carro comigo há uns meses: “isto é um exagero!” E depois, há umas semanas: “Isto é tão pequenino”… Nem mais! Acho que na minha cabeça se digladiam agora a vontade de ser insignificância no exagero ou afirmação na pequenez. Concluo que o Ser Humano, como em tudo, vai pelo que mais gosta. E gosta do mais seguro porque lhe é mais confortável. Acho que o GOSTAR implica então três processos: arriscar, adaptar e aproveitar. Arristar para ficar perante uma situação nova (insegura); adaptar porque esse é o processo de crescimento e de criação de novo “conforto” para nós; e aproveitar para grangear novas memórias que possamos recordar como boas.

Gostamos do que nos dá conforto porque o nosso conforto é o reflexo do nosso bem-estar. E o nosso bem estar é a soma de todas as coisas que nos fazem felizes. E a felicidade é o fim último da nossa existência.

E assim cheguei. Cheguei a um Portugal onde as autárquicas já começaram. Onde abriu um novo canal de televisão. Onde as revistas passaram a oferecer produtos de styling. Onde eu sorrio no elevador e me sorriem timidamente de volta e baixam logo os olhos comprometidos. Onde os tipos dos Volkswagen’s Golf pretos (ou os dos Seat’s Ibiza) se metem à socapa à nossa frente. Onde o carro vai a baixo quando estamos na A5 a ouvir música aos altos berros. Onde a portagem se paga. Onde encontro as caras que me compreendem. Onde estudo. Onde trabalho. Onde estão as pessoas que amo. Onde nasci. Onde estou. Onde vou ficar…

… pelo menos por enquanto 😉

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